O valor de mercado das empresas listadas na B3 sofreu uma redução de R$ 731 bilhões entre o pico registrado em fevereiro e o dia 18 de junho, segundo levantamento da consultoria Elos Ayta. Com a queda, a capitalização consolidada das companhias voltou ao nível observado no fim de 2025, encerrando o período em R$ 4,717 trilhões.

De acordo com o estudo, que analisou 302 companhias com dados disponíveis em todas as datas da amostra, o mercado acionário brasileiro havia se recuperado entre dezembro e fevereiro, acumulando ganhos de R$ 739 bilhões e atingindo um recorde de R$ 5,447 trilhões. A partir de então, iniciou-se um movimento contínuo de ajuste, influenciado por fatores como a rotação global de ativos e preocupações com a inflação.

Dinâmica de ida e volta

Einar Rivero, CEO da Elos Ayta, explicou que a trajetória dos valores evidencia uma dinâmica de recuperação seguida de perda. Segundo ele, as companhias devolveram quase toda a valorização obtida no início do ano, anulando os ganhos registrados entre janeiro e fevereiro. A amostra indicou quatro meses consecutivos de redução do valor de mercado.

Efeito extraordinário da Bradesco Saúde

O levantamento incluiu uma empresa com comportamento atípico: a Bradesco Saúde (SAUD3), que registrou forte expansão de valor em decorrência da incorporação de sua operação pela controladora. Einar Rivero destacou que esse movimento provocou uma elevação pontual na capitalização da companhia, gerando uma distorção na comparação histórica do valor de mercado agregado.

Para corrigir esse efeito, a Elos Ayta realizou uma análise excluindo a Bradesco Saúde, passando a considerar 301 empresas. Nesse recorte, o valor de mercado consolidado era de R$ 4,703 trilhões em dezembro de 2025 e caiu para R$ 4,679 trilhões em 18 de junho de 2026. Dessa forma, sem o evento societário, o mercado teria encerrado o período com uma capitalização inferior à observada no fim do ano anterior, indicando uma contração líquida além da devolução dos ganhos iniciais.