A Justiça do Peru decidiu, na sexta-feira 5, dois dias antes do segundo turno das eleições presidenciais, enviar a julgamento o candidato de esquerda Roberto Sánchez por suposta declaração falsa de financiamento de seu partido, o Juntos pelo Peru, em campanhas entre 2018 e 2020.

O juiz Adolfo Farfán, após audiência virtual de dois dias, leu: “Decreta-se o auto de persecução penal, em consequência declara-se haver mérito para o julgamento oral contra Roberto Sánchez Palomino”. O Ministério Público, que pediu pena de cinco anos e quatro meses de prisão, declarou-se “de acordo com” a resolução.

A defesa de Sánchez informou que vai apelar, com prazo de uma semana. A realização do segundo turno no domingo não será impactada, pois cabe recurso. Caso vença, Sánchez, congressista e ex-ministro de 57 anos, teria imunidade constitucional.

Segundo a acusação, Sánchez teria recebido mais de 57 mil dólares (cerca de R$ 292 mil) em aportes não declarados ao Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE). O candidato não se pronunciou sobre a decisão judicial, mas em abril escreveu no X: “Durante anos tentaram instalar uma mentira para me desacreditar politicamente”. Ele alega que o caso havia sido arquivado em 2025 por falta de provas.

Sánchez enfrenta no domingo a direitista Keiko Fujimori, filha do ex-presidente autocrata Alberto Fujimori, em uma disputa acirrada. O candidato esquerdista se apresenta como voz dos pobres e das áreas rurais, e acusa Fujimori de integrar uma “máfia” política responsável pela instabilidade no Peru — país que, desde 2016, teve oito presidentes, com quatro destituídos pelo Congresso, onde o partido de Fujimori, Força Popular, tem grande influência.

Na reta final, Sánchez tem falado sobre consenso e estabilidade, distanciando-se de mudanças radicais. Na sexta-feira, disse à AFP que deseja relações “respeitosas” com o presidente americano Donald Trump. Sobre a instabilidade, defendeu regular a “vacância por incapacidade moral permanente” do presidente, para frear o uso indiscriminado desse poder pelo Congresso.

Com informações de CartaCapital.