Mesmo sendo um dos temas mais conhecidos da saúde masculina, o câncer de próstata ainda é cercado por tabu, medo, desinformação e adiamento. Em muitos casos, o receio de falar sobre o assunto faz com que homens protelem a consulta, apesar de dúvidas, histórico familiar ou idade de maior risco.

O urologista Fernando Leão destacou que o debate precisa ser realizado sem tabu e com informação de qualidade. “O mais importante é entender que não existe uma regra única para todos. O rastreamento precisa considerar idade, histórico familiar, fatores de risco e avaliação médica individualizada”.

O médico afirmou que o avanço dos exames e do raciocínio clínico tem permitido diagnósticos mais precisos e decisões mais adequadas para cada paciente. “Hoje, a conversa não deve ser baseada apenas em medo. Deve ser baseada em risco individual, timing correto e investigação bem conduzida”, disse.

Quando há indicação cirúrgica, a tecnologia também passou a ter papel relevante. De acordo com o especialista, a cirurgia robótica é uma ferramenta importante em casos selecionados. “Ela não é sinônimo de solução mágica, mas pode trazer ganhos importantes de precisão técnica, especialmente em procedimentos delicados como os da próstata, quando bem indicada”, explicou.

A cirurgia robótica para o tratamento do câncer de próstata, conhecida tecnicamente como prostatectomia radical robótica, é um procedimento minimamente invasivo no qual o cirurgião remove a próstata utilizando braços mecânicos de alta precisão controlados por um console computorizado. Essa tecnologia oferece uma visão tridimensional ampliada em alta definição e movimentos articulados mais estáveis que a mão humana, permitindo a retirada do tumor com o máximo de preservação dos tecidos vizinhos. O método proporciona ao paciente menos sangramento, redução das dores no pós-operatório, recuperação mais rápida e melhores taxas de preservação da continência urinária e da função erétil quando comparado à cirurgia tradicional.

A proposta, segundo ele, é esclarecer sem transformar o tema em tabu ou marketing. “Homem precisa entender que procurar avaliação não é exagero; é cuidado. E o tratamento moderno começa com diagnóstico responsável”, completou.

Principais causas da doença

O câncer de próstata não tem uma causa única e totalmente definida, mas, sim, uma combinação de fatores de risco que aumenta a probabilidade de a doença se desenvolver.

A principal engrenagem por trás do tumor são mutações genéticas no DNA das células da próstata, que provocam crescimento e multiplicação desordenada. Principais causas:

Fatores incontroláveis (principais)

Idade avançada: É o fator de risco mais determinante. Cerca de 75% dos casos no mundo ocorrem a partir dos 65 anos. É um tumor raro antes dos 40 anos.

Histórico familiar (genética): Ter um parente de primeiro grau (pai ou irmão) que teve câncer de próstata antes dos 60 anos duplica o risco. Se houver mais de um parente afetado, o risco é ainda maior.

Etnia: Estudos apontam que homens negros têm uma predisposição maior a desenvolver a doença e, muitas vezes, em formas mais agressivas, devido a fatores genéticos ainda em estudo.

Fatores de estilo de vida e ambiente

Obesidade e sobrepeso: O excesso de gordura corporal gera um estado de inflamação crônica e alterações hormonais que podem estimular o surgimento de tumores mais agressivos.

Alimentação inadequada: Dietas ricas em gordura animal, embutidos e carnes vermelhas em excesso, combinadas com o baixo consumo de frutas, legumes e verduras, estão ligadas a um risco aumentado.

Sedentarismo: A falta de atividade física regular afeta o metabolismo corporal e o equilíbrio hormonal, contribuindo indiretamente para o desenvolvimento da doença.

Papel dos hormônios: A testosterona (hormônio masculino) não causa o câncer diretamente, mas serve como “combustível” que alimenta o crescimento das células prostáticas, tanto as saudáveis quanto as tumorais.

Como o início da doença costuma ser silencioso (sem sintomas), consultas regulares ao urologista e exames como o PSA (sangue) e o toque retal são fundamentais para o diagnóstico precoce, que eleva as chances de cura para 90%.