A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) adotou cautela na resposta à operação da Polícia Federal contra Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado. A estratégia, segundo aliados ouvidos pela Folha, é explorar politicamente o episódio sem transformá-lo no eixo central da pré-candidatura presidencial de Flávio.
Leitura interna: caso volátil
A avaliação interna é que o escândalo envolvendo o Banco Master é volátil demais para sustentar uma campanha inteira. Por isso, o grupo planeja usar a operação contra Wagner de forma pontual, enquanto busca preservar espaço para o lançamento de propostas, especialmente em áreas como segurança pública. Para aliados, a ação contra Wagner ajuda a “equilibrar o jogo” depois do desgaste provocado pelo caso “Dark Horse”, quando foi revelado que Flávio Bolsonaro pediu R$ 130 milhões ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro, dos quais cerca de R$ 61 milhões foram repassados.

Exploração nas redes e eventos
Flávio já começou a explorar o episódio. Nas redes sociais, compartilhou reportagens sobre a operação e afirmou que “escândalo envolvendo o PT é como a incompetência do governo Lula: não tem como esconder”. Em evento em São Paulo, disse que “o PT da Bahia acaba de ser implodido” e chamou a ação de “alento”.
Impacto na disputa
O movimento ocorre porque a crise do Banco Master atingiu os dois lados da disputa. Antes da operação contra Wagner, Flávio havia sido pressionado pela relação com Vorcaro e pelo financiamento do “Dark Horse”. Após a revelação, pesquisas apontaram recuo do senador, embora aliados sustentem que ele não “derreteu” e se manteve como principal nome da direita. A campanha de Flávio reconhece que Lula não foi diretamente implicado, mas argumenta que a lista de figuras próximas ao presidente atingidas pelo escândalo cresceu, reduzindo a vantagem política do PT na exploração do caso Master.
Detalhes da operação
A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão no apartamento de Jaques Wagner. A apuração investiga suspeitas de que o senador possa ter recebido valores ligados ao Banco Master por meio de empresa vinculada à esposa de seu enteado, além de um apartamento avaliado em R$ 2,5 milhões. O caso foi aberto a partir da análise de material apreendido com Augusto Lima, ex-sócio do Master, e integra a nova fase da Operação Compliance Zero.
Para a campanha de Flávio Bolsonaro, o episódio não encerra o desgaste do “Dark Horse”, mas cria um contra-ataque num tema que vinha sendo usado pelo governo Lula contra o senador.