Na Colômbia, a camisa amarela da seleção nacional de futebol tornou-se objeto de disputa política a menos de duas semanas do segundo turno da eleição presidencial, marcado para 21 de junho. A juíza Aura Forero, em Bogotá, proibiu o candidato de direita Abelardo de la Espriella de usar a vestimenta em eventos políticos, considerando a prática imprópria e prejudicial à igualdade entre os concorrentes.

De la Espriella, que lidera as pesquisas, e seus apoiadores vinham utilizando a camisa em comícios e nas redes sociais como símbolo nacionalista. A decisão judicial argumenta que o uso político da camisa favorece a candidatura de De la Espriella e compromete o direito do adversário e de seus eleitores de usá-la em condições de igualdade.

O candidato, conhecido por retórica semelhante ao movimento MAGA, considera o uniforme um ícone nacional, comparável à bandeira ou às Forças Armadas. Antes do primeiro turno, em 31 de maio, ele convocou eleitores a irem às urnas vestindo a camisa, burlando a proibição de campanha no dia da votação.

Críticos, como o rival de esquerda Iván Cepeda, lamentaram a politização do vestuário esportivo, defendendo que ele pertence a todos os colombianos. Vídeos antigos ressurgiram mostrando políticos de diferentes espectros, incluindo a chefe de campanha de Cepeda, María José Pizarro, e o presidente Gustavo Petro, usando a camisa em ocasiões não políticas.

De la Espriella prometeu desafiar a proibição, classificando-a como ataque às liberdades individuais. Apoiadores convocaram um “Dia da Bandeira” para 6 de junho, incentivando o uso da camisa. Com 10 milhões de votos no primeiro turno e a Copa do Mundo coincidindo com a eleição, a fiscalização da medida promete ser complexa.

Com informações de CNN Brasil.