O senador e ex-ministro da Educação Camilo Santana (PT-CE) defendeu, na quinta-feira (11 de junho de 2026), que as facções criminosas PCC (Primeiro Comando da Capital) e Comando Vermelho (CV) sejam classificadas como organizações terroristas, alinhando-se à decisão dos Estados Unidos. A declaração foi dada ao site Metrópoles.
Divergência com o Planalto
A posição de Santana contrasta com a linha adotada pelo governo federal. O Palácio do Planalto criticou a decisão norte-americana e afirmou que “não aceitará o uso de medidas arbitrárias vindas do estrangeiro como pretexto para atacar” a soberania e a economia brasileiras. O senador disse ter comunicado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sua discordância em relação ao posicionamento presidencial.
Para Santana, Lula cometeu um “equivoco” ao reagir à classificação dos EUA. “O PCC e o Comando Vermelho causam terrorismo no Brasil inteiro. O que houver de pior para classificar esse pessoal, tem que classificar”, declarou. Ele também criticou o uso da pauta de segurança para fins políticos: “Não podemos usar esse tema da segurança para fazer politicagem, como é feito lá no Ceará todos os dias pelo nosso adversário”. Para o senador, o tema da segurança “é um desafio que precisa estar acima de qualquer questão partidária ou política”.
Críticas de Ciro Gomes
Um dos adversários políticos de Santana, o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB), pré-candidato ao governo do Ceará, também se manifestou sobre o assunto. Em 31 de maio, Ciro afirmou que os Estados Unidos não invadiriam o Brasil em decorrência da classificação, mas bloqueariam contas bancárias usadas pelas facções. Ele atribuiu a expansão do crime organizado no Brasil a 20 anos de falhas dos governos no combate ao crime e responsabilizou a omissão das autoridades brasileiras pela decisão da Casa Branca.
“Vinte anos de omissão no Brasil acabaram vulnerando o nosso país a uma potência estrangeira declarar isso, que transforma no interesse deles a mudança institucional de enfrentamento desse problema”, afirmou Ciro.