O cacique Raoni Metuktire, uma das lideranças indígenas mais conhecidas internacionalmente, foi reinternado em uma unidade de terapia intensiva (UTI) no domingo, 14 de julho, e seu estado de saúde é considerado grave, conforme boletim médico divulgado nesta segunda-feira, 15.
O líder, de 94 anos, deu entrada no Hospital Dois Pinheiros, na cidade de Sinop (MT), com dor abdominal, vômito e expectoração com sangue. Ele havia recebido alta do mesmo hospital em 25 de maio, após tratar uma hérnia e ser diagnosticado com doença pulmonar obstrutiva crônica e problemas cardíacos.

“O paciente se encontra internado na UTI, sob monitoramento contínuo. O estado de saúde é considerado grave”, informou o hospital.
Quadro clínico e medidas da família
O neto de Raoni, Beptuk Metuktire, que retornou do exterior por causa do avô, afirmou à agência AFP que o cacique estava lúcido, mas com estado de saúde instável. Familiares devem se reunir nesta terça-feira, 16, para discutir os próximos passos caso haja piora, disse Roiti Metuktire, coordenador de Gestão Territorial do Instituto Raoni.

O sucessor indicado de Raoni, Megaron Txucarramãe, e outros líderes indígenas interromperam uma viagem à Europa para denunciar o garimpo ilegal em terras indígenas, organizada pelo Greenpeace Brasil, conforme informou à AFP Danicley de Aguiar, coordenador da ONG.
Trajetória de luta e atuação recente
Raoni ganhou projeção mundial nos anos 1970, quando se opôs à construção da rodovia Transamazônica durante a ditadura militar (1964-1985). Em 1989, fez sua primeira turnê internacional após conhecer o músico britânico Sting na Amazônia. Nos últimos meses, embora visivelmente debilitado, manteve-se ativo: em abril, participou do Acampamento Terra Livre, maior encontro anual de povos indígenas em Brasília.
O cacique é um dos defensores mais emblemáticos da Amazônia e símbolo da luta pelos direitos indígenas e pela preservação ambiental.