O líder indígena Raoni Metuktire, conhecido internacionalmente pela defesa da Amazônia, foi internado em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Dois Pinheiros, em Sinop, no norte de Mato Grosso. A internação ocorreu após o cacique apresentar sintomas como vômitos, tosse persistente e dor abdominal.
Segundo boletim médico divulgado nesta segunda-feira (15), Raoni apresenta alterações da função renal e indicadores compatíveis com infecção grave. A principal hipótese diagnóstica é sepse pulmonar decorrente de pneumonia broncoaspirativa, originada de um quadro de vômitos.
Histórico dos sintomas e internação
Raoni estava em sua residência, na região de Peixoto de Azevedo (MT), onde recebia visitas de líderes indígenas e pajés de seu povo. No sábado (13), teve o primeiro episódio de vômito. No domingo (14), apresentou mais três episódios, acompanhados de tosse persistente, dor abdominal e eliminação de pequena quantidade de sangue pela boca. Devido ao desconforto abdominal, alimentou-se apenas no café da manhã.
Diante da persistência dos sintomas, o líder foi transferido de avião para Sinop. Ao chegar ao hospital, apresentava sinais de desidratação, sonolência acentuada e abdome distendido. Ele está recebendo hidratação venosa, antibióticos e suporte intensivo, com acompanhamento ininterrupto da equipe multiprofissional.
Idade e origem
Raoni não foi registrado ao nascer, portanto sua data exata de nascimento é desconhecida. Com base em seus relatos, o antropólogo Fernando Niemeyer estima que o cacique tenha nascido em 1937. Natural da aldeia Kapot, em Mato Grosso, Raoni teve contato com um homem branco apenas por volta dos 20 anos.
Internações recentes
A nova internação ocorre menos de um mês após Raoni ter recebido alta do mesmo hospital. Em maio, ele ficou internado por complicações respiratórias e gastrointestinais. Antes, ainda em maio, passou cinco dias hospitalizado para tratar dores abdominais associadas a uma hérnia.
Trajetória de luta
Reconhecido internacionalmente pela defesa da Amazônia e dos povos indígenas, Raoni ganhou notoriedade nos anos 1970 ao se posicionar contra a construção da rodovia Transamazônica durante a ditadura militar (1964-1985). Em 1989, após conhecer o músico britânico Sting na Amazônia, iniciou viagens internacionais e consolidou-se como uma das vozes mais conhecidas em defesa da floresta e dos direitos indígenas.