A Copa do Mundo de 2026 já tem sua primeira grande surpresa. A seleção de Cabo Verde, estreante no torneio, empatou em 0 a 0 com a Espanha, atual campeã da Eurocopa e terceira colocada no ranking da Fifa. O resultado é considerado uma das maiores zebras da competição, especialmente pela diferença de posições no ranking: trata-se da quarta maior disparidade já registrada desde a criação da classificação.
Aos 40 anos, o goleiro Vozinha foi um dos protagonistas, realizando sete defesas consideradas difíceis, incluindo uma finalização de dentro da área do lateral Cucurella. Sua agilidade em cruzamentos e segundas bolas chamou a atenção.

Estratégia defensiva de Bubista
O técnico Bubista montou uma das estratégias defensivas mais eficientes da Copa. A equipe atuou no esquema 4-1-4-1, que se transformava em 4-5-1 sem a bola, com a linha de defesa fixa na frente da área e o meio-campo focado em impedir que os meias Pedri e Fabián Ruiz e os atacantes recebessem entre as linhas.
“A grande prioridade de Cabo Verde foi proteger o centro da grande área”, conforme análise tática divulgada.
Os números comprovam o plano: a Espanha completou cerca de 400 passes no terço ofensivo, mas raramente conseguiu infiltrar pelo corredor central. Quando tentava pelos lados, a cobertura dos pontas era rápida, como na jogada em que Jovane Cabral correu para reduzir o espaço de Marcos Llorente.

Bloco compacto e paciência
Cabo Verde manteve uma postura física intensa, transformando o jogo em um duelo de paciência. Com apenas 26% de posse de bola e 262 passes tentados contra 811 da Espanha, a equipe aceitou ficar sem a bola a maior parte do tempo. Os volantes Pedri e Rodri não eram marcados de perto; a ideia era deixá-los com a bola, mas apenas com os lados livres. Por dentro, Gavi, Oyarzabal e Torres mal tinham espaço para se movimentar.
A Espanha recorreu a 39 cruzamentos, número incomum para um time que prioriza jogar por dentro. A defesa de Cabo Verde funcionou como um bloco compacto, com três jogadores pressionando o portador da bola no corredor lateral, enquanto a linha defensiva não abandonava sua posição, sem perseguições longas.
Fraquezas espanholas
O time de Luis de la Fuente também mostrou limitações: depende muito da criatividade dos pontas Lamine Yamal e Nico Williams, que não estavam em plenas condições físicas, perdendo profundidade e imprevisibilidade. Faltou maior mobilidade entre os homens de frente.
Apesar disso, a proeza de Cabo Verde é admirada. A seleção africana, que nunca foi conhecida pelo futebol, estreou no torneio graças à nova regra da Fifa, enfrentou uma potência europeia e saiu de campo sem sofrer gols e com apenas uma falta cometida.
“Sabíamos que era uma partida de paciência”, afirmou Rodri após o jogo.