O skate, esporte olímpico desde 2016, transcende a prática esportiva e influencia moda, estilo de vida e música. A relação entre skate e música é abordada no podcast Sabe Som?, apresentado por Thiago França, que recebe Rodrigo Saldanha (baterista) e Anderson Quevedo (saxofonista), integrantes da banda instrumental Bufo Borealis.
Rodrigo Saldanha relembra que, na década de 1980, skatistas eram vistos como pessoas de mente aberta. Ele começou a andar de skate em 1987, no interior de Minas Gerais, onde havia apenas seis skatistas. Inicialmente influenciado pelo metal, com bandas como AC/DC e Sepultura, ele conta que o punk ampliou seus horizontes musicais. “No punk, você via nos encartes de disco os agradecimentos, um monte de banda. Aí tinha banda, o Big Boys, tinha metais já. Aí você fala: ‘Cara, era uma banda punk com metais’. Aí você vai vendo os caras falando, eles citam alguém do jazz. Aí você vai ficando curioso. Então você vai abrindo, nunca fechando”, afirma.
Segundo Saldanha, havia uma rixa entre estilos musicais, mas skatistas tinham um “cartão verde” para circular entre as cenas. Foi assim que ele convidou Anderson Quevedo para tocarem juntos. “Porque eu falava: ‘Cara, se ele anda de skate e ele é jazzista. Se ele anda de skate, ele é um cara aberto'”, lembra.
Anderson Quevedo destaca a relação do skate com as artes em geral. “Grandes skatistas também são músicos, também são artistas plásticos. Não é só sobre skate. Acho que isso já, naturalmente, quando você se interessa por skate, você já se torna uma pessoa mais suscetível a receber essas informações”, diz. Ele cita o skatista Mark Gonzales, que nos anos 1990 lançou vídeos com trilhas de John Coltrane e Miles Davis.
O nome da banda, Bufo Borealis, foi inspirado em uma constelação fictícia na contracapa do disco “One Size Fits All”, de Frank Zappa. “Aí tinha constelação de Pixies, tinha constelação Úrsula Maior. essas coisas, e aí tinha Bufo Borealis, que é uma pira, isso nem existe, aí o cara colocou, e tinha o desenho de um sapo. Mas aí, cara, o nome veio, soou bem, soou musical e universal, porque eu falei, pô, a gente faz uma música universal. Acho que foi o Zappa que apadrinhou”, brinca Saldanha.
Os músicos discutem a transição do autodidatismo para a música instrumental, destacando a liberdade técnica e referências que vão do jazz fusion ao afrobeat. Eles relembram encontros marcantes, como a colaboração com o baterista Tony Allen, e comentam sobre projetos paralelos e novos lançamentos. O podcast Sabe Som? vai ao ar toda sexta-feira às 15h e está disponível em plataformas como Spotify e YouTube Music.
Com informações de Brasil de Fato.