Um brasileiro apontado como suposto ex-comandante do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) foi preso nos Estados Unidos no dia 5 de junho, informaram autoridades americanas na segunda-feira (15/6). A detenção ocorreu na Carolina do Norte, após uma perseguição policial.

Felipe Linares de Oliveira Dell Aquilla, conhecido como "Don", foi capturado por agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE). Segundo o Departamento de Segurança Interna dos EUA (DHS), ele entrou ilegalmente no país em data e local não especificados.

Detalhes da prisão

De acordo com o DHS, Aquilla tentou fugir ao notar a aproximação policial, dirigindo seu veículo em alta velocidade até colidir com outros carros parados. Em seguida, tentou escapar a pé, mas foi rapidamente detido. Durante a revista no carro, agentes apreenderam:

  • diversos celulares
  • laptops
  • dinheiro
  • uma pistola 9mm

Em interrogatório, a esposa de Aquilla confirmou que havia sido mantida em cárcere privado por ele, enquanto ele se preparava para fugir para o México. As autoridades americanas afirmam que Aquilla já havia sido comandante do PCC e do CV, organizações classificadas pelos EUA como terroristas estrangeiras.

Mandados e acusações

Aquilla possui dois mandados nacionais de prisão no Brasil, ambos expedidos pela 3ª Vara Criminal Central do Tribunal de Justiça de São Paulo. Um de 2019, por coação no curso do processo, e outro de 2024, por extorsão agravada — crime pelo qual foi condenado em primeira instância a nove anos e sete meses de prisão em regime fechado. A extorsão consiste em obrigar alguém, mediante ameaça ou violência, a entregar dinheiro ou vantagem indevida.

Até o momento, seu nome não consta na lista vermelha pública da Interpol. Nos EUA, ele deverá ser indiciado por fuga para evitar prisão, porte ilegal de arma de fogo e sequestro.

Reação do governo brasileiro

A decisão dos EUA de classificar PCC e CV como organizações terroristas, anunciada no mês passado e oficializada no dia da prisão de Aquilla, desagradou o governo brasileiro. Segundo o Itamaraty, a medida pode ameaçar a soberania nacional ao permitir ações militares americanas sob pretexto de combate ao terrorismo, além de contrariar a legislação brasileira, que distingue crime organizado de terrorismo.

A BBC News Brasil solicitou informações ao Ministério da Justiça e ao Itamaraty, mas não obteve resposta. A Polícia Federal afirmou que "não divulga e nem confirma nomes de eventuais alvos".

Especialista questiona conceito de liderança

O sociólogo Gabriel Feltran, autor do livro "Irmãos: Uma História do PCC" e diretor de pesquisa no CNRS e professor na Sciences Po, em Paris, pondera que não é mais possível falar em chefes ou líderes absolutos nessas organizações. Segundo ele, "existem posições ocupadas por pessoas que têm responsabilidades com os grupos", mas que não necessariamente "mandam" neles.

"Esta prisão demonstra o compromisso inabalável do HSI em proteger nossas comunidades de criminosos internacionais perigosos", disse Mark M. Zito, agente especial do departamento de Investigações de Segurança Interna nos Estados da Carolina do Norte e do Sul. "Ao prender um líder conhecido de organizações terroristas estrangeiras violentas — procurado por crimes graves, incluindo associação criminosa e extorsão — evitamos maiores danos a pessoas inocentes aqui e no exterior."