Mais de 1 milhão de crianças e adolescentes brasileiros de 6 a 14 anos não estavam cursando a série esperada em 2025, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do IBGE, divulgada nesta sexta-feira (19). O número é superior ao registrado em 2019, quando cerca de 770 mil alunos apresentavam defasagem, indicando que o país não conseguiu retomar os níveis pré-pandemia.
Cenário geral
Na faixa etária de 6 a 14 anos, é esperado que os alunos estejam matriculados ou já tenham concluído o ensino fundamental (do 1º ao 9º ano). Em 2025, a taxa de alunos na série adequada foi de 96,1%, uma melhora em relação a 2023 e 2024, quando ficou em 94,6%. No entanto, o índice ainda é inferior ao de 2019, que era de 97,1%.
Isso significa que quase 250 mil crianças a mais apresentam atraso na trajetória escolar após a pandemia de covid-19, que suspendeu aulas presenciais em todo o país.
Causas do atraso
William Kratochwill, pesquisador do IBGE, explica que muitas crianças não conseguiram acompanhar as atividades remotas, algumas famílias preferiram adiar a entrada na escola e diversas repetiram o ano, o que gerou o déficit. “Esse grupo etário tinha mais dificuldade em acompanhar as atividades remotas. Isso acarretou um déficit que ainda vai ser carregado por um tempo até que as crianças voltem a frequentar a série apropriada para a idade”, afirma.
Apesar do recuo, o Brasil superou a meta do Plano Nacional de Educação (PNE), que previa ao menos 95% dos alunos do ensino fundamental concluindo a etapa na idade recomendada até 2024.
Desempenho por região e grupos
A pesquisa revela pequenas diferenças entre os grupos analisados. Entre os meninos, a taxa de adequação é de 95,9%; entre as meninas, de 96,2%. Considerando a cor, estudantes brancos têm 96,2% e pretos e pardos, 96,0%.
A região Sul apresenta o maior percentual de atraso, com taxa de 95,7% em 2025, ante 97,3% antes da pandemia. Nenhuma região do país recuperou o patamar anterior à crise sanitária.
Ensino médio e desigualdades
Para os jovens de 15 a 17 anos, houve avanço: 80,6% estavam cursando ou já haviam concluído o ensino médio em 2025, contra 71,4% em 2019. Ainda assim, o índice fica 4,4 pontos percentuais abaixo da meta do PNE, de 85% até o fim de 2024.
Os dados também evidenciam desigualdade racial nessa etapa: 84,9% dos jovens brancos estão na série adequada, enquanto entre pretos e pardos o percentual é de 77,8%.
O relatório da pesquisa conclui que “a avaliação dos indicadores da educação básica, em 2025, evidencia avanços moderados, mas ainda desigualdades persistentes entre as etapas do ensino e os grupos etários”.