O Brasil precisa ter paciência para desenvolver uma cadeia completa de mineração, separação, refino e processamento de terras-raras, disse o CEO da Viridis Mining, , durante participação no 2º Fórum de Investimentos Brasil-União Europeia, realizado pela ApexBrasil na 3ª feira (23.jun.2026).

O executivo defende que a indústria brasileira precisa de tempo para entender como desenvolver todas as etapas do processo de exploração de minerais críticos. Nos últimos meses, integrantes do governo, Congresso, setor privado e agentes internacionais vêm discutindo políticas públicas e parcerias para aproveitar o potencial mineral do Brasil, dono da 2ª maior reserva de terras-raras do mundo.

O país é visto pelos EUA e pela União Europeia como uma alternativa para reduzir a dependência do fornecimento de materiais da China, que hoje domina mais de 90% da cadeia internacional de terras-raras, materiais essenciais para a produção de veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos e sistemas de defesa.

“Se nos derem algum tempo, sabe? A China, por exemplo, levou duas décadas para fazer sua cadeia de valor funcionar, não 2 meses. Sejamos um pouco pacientes e entendamos como vamos construir essa cadeia de valor. Se fizermos isso no tempo certo e sem procrastinar muito, o Brasil será um dos líderes em crescimento global no setor”, disse Moreno.

A Viridis é dona de um dos projetos mais promissores de terras-raras do Brasil. A mineradora australiana gere o Projeto Colossus, que planeja explorar uma mina em Poços de Caldas, em Minas Gerais. O empreendimento atrai interesse da União Europeia e recebeu na última semana uma visita do comissário de Parcerias Internacionais do bloco, Jozef Síkela, que também participou da Apex em Brasília na 3ª feira.

Diante do crescimento do interesse estrangeiro nos minerais brasileiros, integrantes do governo e do Congresso passaram a defender que o Brasil avance para novas etapas da cadeia de valor –como refino e beneficiamento– e não fique restrito à mineração e à posição de exportação de matéria-prima. Executivo e Legislativo avançaram nesse objetivo com a criação da Política Nacional dos Minerais Críticos, aprovada na Câmara em maio.

Apesar do movimento das autoridades brasileiras para incentivar novas atividades, Moreno alerta que o país ainda precisa se preocupar com a mineração.

“Acho importante que o ecossistema aqui entenda que, se você quer uma boa cadeia de valor, o fabricante de ímãs, a metalização, a separação, não virão para o Brasil se não houver mineração. Não virão. Portanto, o modelo de negócios precisa começar com a mineração. Empresas como a nossa, e sei que alguns dos meus colegas aqui estão fazendo o mesmo, já estão trabalhando na cadeia de valor”, declarou.

PARCERIA BRASIL-EUROPA

Moreno defendeu o estabelecimento de parcerias entre o Brasil e a União Europeia. Segundo o executivo, brasileiros e europeus podem atuar em conjunto no setor, aproveitando o potencial mineral do território brasileiro e a tecnologia desenvolvida pelos europeus.

“A maioria das pessoas pensa que os chineses foram os primeiros a realizar todo o processamento e a entender a cadeia de valor. Posso dizer que foi a Europa que os ensinou a fazer a separação. Portanto, existe um ótimo exemplo de um modelo de negócios em que se pode combinar um grande potencial geológico, como o Brasil tem, com uma jurisdição como a da Europa”, afirmou.

A declaração vai ao encontro da posição defendida pelo comissário europeu, Jozef Síkela, durante o evento. Em conversa com jornalistas brasileiros, o representante do bloco disse que a União Europeia quer “empoderar” o Brasil em eventuais parcerias na área de minerais críticos e estratégicos e tem interesse em contribuir com atividades de refino e processamento de materiais na indústria nacional.