O Brasil consolidou-se como um dos mercados mais avançados do mundo em pagamentos digitais, segundo a edição de 2026 do Global Payments Report, elaborado pela Global Payments. O levantamento destaca o avanço da bancarização, a popularização das carteiras digitais e, principalmente, a expansão do Pix como os principais motores da transformação.

Com 96,4% da população bancarizada, o país ocupa posição de destaque em um setor que redefine a relação entre consumo, tecnologia e serviços financeiros. Para a Global Payments, a combinação entre inclusão financeira, adoção tecnológica e inovação regulatória criou um ambiente que poucos países conseguiram replicar com a mesma velocidade.

Pix: protagonista nas transações

Lançado pelo Banco Central há pouco mais de cinco anos, o Pix deixou de ser apenas uma alternativa às transferências bancárias e tornou-se um dos principais meios de pagamento. De acordo com o relatório, o sistema respondeu por 42% do valor transacionado no e-commerce brasileiro em 2025 e por 34% do volume movimentado nos pontos de venda (PDVs) físicos. Além de simplificar a experiência do consumidor, o sistema reduziu custos, acelerou recebimentos e ampliou a eficiência operacional para comerciantes de diferentes portes.

A incorporação de novas funcionalidades e a ampliação dos casos de uso vêm expandindo o alcance do sistema para além das transferências entre pessoas. Por meio de parcerias internacionais, o Pix já pode ser utilizado por brasileiros em países como Argentina, Chile, Portugal, Espanha e Estados Unidos. Ao mesmo tempo, turistas estrangeiros encontram cada vez mais opções para realizar pagamentos via Pix em estabelecimentos no Brasil.

Cartão de crédito resiste, mas migra para carteiras digitais

Embora o Pix seja o principal motor da transformação, o cartão de crédito mantém relevância. No e-commerce, ele ainda responde por cerca de 40% das transações. Segundo a Global Payments, a resiliência do cartão está ligada a características como programas de fidelidade, acúmulo de pontos e milhas e, principalmente, a possibilidade de parcelamento das compras. Contudo, a forma como o cartão é utilizado mudou: cada vez mais consumidores deixam o plástico na carteira e migram para carteiras digitais (wallets), como Apple Pay, Google Wallet e Mercado Pago. Para a Global Payments, a expansão das wallets representa uma das próximas etapas da digitalização, aproximando consumidores, bancos e varejistas dentro de ecossistemas integrados.

Dinheiro vivo perde espaço

A transformação dos hábitos de pagamento também aparece na queda acelerada do uso de dinheiro em espécie. Enquanto parte da América Latina ainda mantém forte dependência das cédulas e moedas, o Brasil apresenta indicadores mais próximos de economias desenvolvidas. O relatório destaca que o dinheiro físico respondeu por apenas 12% das transações realizadas em pontos de venda em 2025. Para efeito de comparação, o México ainda registra cerca de 40% das transações presenciais em espécie. O movimento aproxima o Brasil de mercados como Reino Unido e Estados Unidos, onde os meios digitais já dominam boa parte das transações de varejo.

Perspectivas futuras

Embora a digitalização dos pagamentos tenha avançado rapidamente, a avaliação da Global Payments é que o processo ainda está em curso. Novas soluções de pagamento, maior integração entre serviços financeiros e comércio eletrônico e a expansão de modelos digitais devem continuar remodelando a forma como consumidores e empresas se relacionam com o dinheiro. Juan Pablo D'Antiochia, gerente-geral de Enterprise da Global Payments para a América Latina, afirmou: “O consumidor é o principal motor dessa mudança. Uma vez que ele experiencia uma jornada mais simples e segura, não há retorno ao passado. Ao contrário, a pressão por inovação só aumenta.” Ele acrescentou: “Este é um momento de possibilidades significativas para os estabelecimentos comerciais e para toda a indústria de pagamentos que os conecta.”