Em artigo publicado na Folha de S.Paulo, o jornalista e ex-secretário de Redação do jornal, mestre em administração pública pela Universidade Harvard, traça um paralelo entre o avanço global da inteligência artificial (IA) e os entraves que impedem o Brasil de acompanhar essa corrida tecnológica.
O texto aponta que, enquanto os Estados Unidos lidam com questões políticas e sociais complexas — incluindo a figura do presidente Donald Trump, descrito como um 'duce' da corrupção dos costumes e da democracia —, o Brasil enfrenta uma versão 'moleque, corrupta e mais caricata' que almeja o poder em 2027. Além disso, o país sofre com juros elevados que asfixiam empresas, investimentos e o crescimento econômico, inviabilizando até mesmo a adoção de inovações.
Nos Estados Unidos, a discussão sobre IA ganhou destaque com o conceito de 'autoaperfeiçoamento recursivo' (RSI), em que a inteligência artificial poderia projetar e treinar seu próprio aperfeiçoamento sem intervenção humana, levantando questões sobre controle e segurança. A empresa Anthropic, desenvolvedora dos modelos Claude, propôs uma moratória nos avanços da IA para debater riscos de segurança e impactos sociais, sugerindo um tratado multilateral de não proliferação de armas tecnológicas. A proposta, no entanto, foi criticada por teóricos, concorrentes e investidores, sendo vista como contraditória diante dos planos da empresa de abrir capital.
O artigo menciona que pensadores líderes da IA divergem sobre a viabilidade do RSI, com alguns apontando limites matemáticos, lógicos e de engenharia, enquanto outros preveem sua chegada já em 2028. Apesar das incertezas, o medo da IA se dissemina nos EUA, tornando-se uma questão de imagem para as empresas e um tema político-eleitoral. A esquerda propõe tributação pesada, enquanto empresas sugerem formas de distribuir ganhos. Na sexta-feira (5), Trump afirmou que o governo poderia ter participação no capital de empresas de IA para que a população seja sócia da revolução tecnológica.
Em contraste, o Brasil não consegue sequer estabelecer fábricas de fertilizantes ou outros empreendimentos devido a juros letais, regulação e infraestrutura deficientes, energia cara e descaso com a ciência. Os principais temas nacionais, segundo o colunista, são o rachadão político e a crise macroeconômica rudimentar, além de uma série de irrelevâncias.
Com informações de Folha — Mercado.