Em busca do sexto título mundial, o Brasil inicia sua trajetória na Copa do Mundo de 2026 pelo Grupo C, enfrentando Marrocos, Escócia e Haiti. A estreia será contra Marrocos no sábado, 13 de junho, às 19h (horário de Brasília), em East Rutherford, na sede de Nova York. Na sequência, Haiti e Escócia se enfrentam às 22h (horário de Brasília), em Foxborough, na sede de Boston.

Brasil

Técnico: Carlo Ancelotti. Capitão: Marquinhos. Classificação: quinto lugar nas Eliminatórias da América do Sul. Participações em Copas: 22. Melhor resultado: campeão (1958, 1962, 1970, 1994 e 2002). Desempenho em 2022: quartas de final.

A seleção brasileira chega ao torneio após um ciclo marcado por testes, trocas de treinador, polêmicas internas e incertezas. Com apenas um ano de trabalho, Carlo Ancelotti trouxe esperança, mas não pôde preparar o time idealmente. Lesões de jogadores cruciais como Eder Militão, Estêvão e Rodrygo impactaram a montagem da equipe. As melhores atuações vieram em um 4-2-4 ousado, que privilegiava associações curtas e construção por baixo. Sem Estêvão e Rodrygo, o Brasil perdeu meias importantes para esse modelo, resultando em jogos ruins, como a derrota para a França. A mudança para o 4-3-3 com pontas clássicos teve bons resultados no último amistoso antes da convocação, e Ancelotti convocou 26 jogadores que indicam esse modelo.

O principal nome é Neymar, maior artilheiro da história do Brasil em jogos oficiais, mas que não atua pela seleção desde 2023 e luta para estar apto fisicamente. O time tem boas peças e talento suficiente, mas dúvidas sobre o modelo de jogo e Neymar podem atrapalhar.

O que esperar: Se tudo correr bem, o Brasil pode quebrar a sina de eliminações nas quartas de final e fazer sua melhor campanha desde 2014, embora não seja amplo favorito. Se der errado, pode tropeçar antes das quartas, com confrontos complicados nos 16 avos e oitavas, e Neymar pode dar um adeus melancólico ao sonho do hexa.

Provável escalação (4-2-4): Alisson; Wesley, Marquinhos, Gabriel Magalhães e Alex Sandro; Casemiro, Bruno Guimarães; Raphinha, Luiz Henrique, Matheus Cunha e Vinicius Júnior.

Destaque: Rodrygo e Estêvão foram os melhores na era Ancelotti, mas desfalcam. Vinicius Júnior seria a resposta natural, mas nunca reproduziu o nível de clubes na seleção. Uma Copa como protagonista pode mudar sua história.

Fique de olho: Luiz Henrique é a aposta para surpreender. Chega com grandes atuações e ganhou posição no último amistoso. No 4-3-3, é o clássico ponta-direita veloz, explosivo e que desequilibra no um contra um, podendo deixar Neymar no banco.

Marrocos

Técnico: Mohamed Ouahbi. Capitão: Achraf Hakimi. Classificação: líder do grupo E das Eliminatórias Africanas. Participações em Copas: 7. Melhor resultado: quarto lugar (2022). Desempenho em 2022: quarto lugar.

Maior surpresa da última Copa, Marrocos viveu uma crise às vésperas de 2026. O técnico Walid Regragui, responsável pelo quarto lugar em 2022, se demitiu em março após pressão pelo vice na Copa Africana de Nações, sediada em Marrocos. Assumiu Mohamed Ouahbi, treinador do sub-20, que foi campeão mundial da categoria. O ciclo consolidou Marrocos como uma das maiores forças do continente, com 100% de aproveitamento nas Eliminatórias, mas decepções nas Copas Africanas. A dificuldade em propor jogo era uma crítica na era Regragui. Ouahbi prefere um jogo dominado com posse de bola, o que pode não ocorrer na estreia contra o Brasil, mas pode ser a tônica contra Escócia e Haiti.

O que esperar: Favorita à segunda colocação, Marrocos pode chegar ao mata-mata com condições de enfrentar grandes adversários, como fez em 2022 ao eliminar Espanha e Portugal. No caminho, teria Holanda ou Japão nos playoffs e um adversário abaixo nas oitavas, com chance de chegar às quartas, onde pode enfrentar a França. A dificuldade em propor jogo com posse pode complicar confrontos acessíveis.

Provável escalação (4-2-3-1): Bono; Hakimi, Diop, Aguerd e Mazraoui; Amrabat, El Ayaoui e Saibari; Brahim Diaz, Abde e Rahimi.

Destaque: Achraf Hakimi, o único jogador marroquino que é o melhor do mundo em sua posição, é capitão e liderança. Tem papel decisivo no ataque, atuando como ponta e dando liberdade para Brahim Díaz.

Fique de olho: Ayyoub Bouaddi, de 18 anos, é a grande novidade. Defendeu a França nas bases, mas escolheu Marrocos. Meio-campista moderno, bom sem bola e brilhante na criação, com qualidade no passe.

Haiti

Técnico: Sébastien Migné. Capitão: Johny Placide. Classificação: melhor segundo lugar da segunda fase das Eliminatórias da Concacaf. Participações em Copas: 2. Melhor resultado: fase de grupos (1974). Desempenho em 1974: fase de grupos.

A vaga direta de Estados Unidos, México e Canadá abriu espaço para seleções menores. O Haiti não se classificava desde 1974 e passa por crise política e social, com conflitos entre gangues. Por isso, mandou todos os jogos em Curaçao. O técnico Sébastien Migné nunca visitou o país. Mesmo assim, conquistou a vaga, com veteranos da Copa América de 2016. Nos últimos amistosos, vitória por 4 a 0 sobre a Nova Zelândia e derrota por 2 a 1 para o Peru, mostrando boa pressão alta e efetividade na transição, mas dificuldade com rebotes de bolas paradas.

O que esperar: Azarão no grupo, o Haiti busca classificação. O duelo direto com a Escócia na estreia pode definir seu futuro. É considerado a quarta força do grupo, atrás de Brasil, Escócia e Marrocos. A tendência é que não passe da fase de grupos.

Provável escalação (4-4-2): Johny Placide; Duke Lacroix, Hannes Delcroix, Ricardo Adé e Carlens Arcus; Ruben Providence, Jean-Jacques Danley, Jeanricner Bellegarde e Louicius Deedson; Duckens Nazon e Wilson Isidor.

Destaque: Duckens Nazon, maior artilheiro da história do Haiti, foi fundamental na classificação. Aos 32 anos, pode ser titular. Precisou deixar o Irã em meio a conflitos e estava sem jogar até o amistoso com a Nova Zelândia. Nascido na França, é o principal nome de uma seleção multicultural.

Fique de olho: Ruben Providence, nascido na França, com passagens por Paris Saint-Germain e Roma. Aos 24 anos, o atacante pode se destacar na Copa — abriu o placar na goleada sobre a Nova Zelândia.

Escócia

Técnico: Steve Clarke. Capitão: Andrew Robertson. Classificação: líder do grupo C nas Eliminatórias da Europa. Participações em Copas: 8. Melhor resultado: fase de grupos. Desempenho em 1998: fase de grupos.

A Escócia está novamente em um grupo com Brasil e Marrocos, como em 1998. A geração atual é mais talentosa e promissora. Liderada por Andy Robertson, um dos grandes laterais da última década, e Scott McTominay, que se reinventou no futebol italiano. Os escoceses lideraram um grupo com Dinamarca, Grécia e Bielorrússia, com quatro vitórias, um empate e uma derrota. Jogando em 4-2-3-1 ou 3-4-1-2, o time aposta na amplitude dos alas, com a qualidade de Robertson, e na criatividade e explosão de McTominay. Geralmente, os dois atacantes combinam força física e velocidade.

O que esperar: Se tudo der certo, a Escócia pode passar de fase pela primeira vez na história, mesmo com o terceiro lugar. Se der errado, uma boa geração pode perder sua melhor chance.

Provável escalação (4-2-3-1): Kelly; Hickey, Souttar, McKenna, Robertson; McGinn, Christie; Doak, McTominay, Curtis; Hirst.

Destaque: Scott McTominay é o principal nome. De volante incompreendido no Manchester United, tornou-se meia perigoso no Napoli: cria, ataca a área e finaliza com qualidade. Aos 29 anos, vive seu auge. Robertson, McGinn e Christie são outros nomes importantes.

Fique de olho: Ben Gannon-Doak, promessa que despontou no Liverpool, mas não teve espaço. Após empréstimos, foi para o Bournemouth. Jovem ponta-direita habilidoso e rápido, pode ser a válvula de escape dos escoceses.

Com informações de Trivela.