Convidados a participar da cúpula do G7, Brasil e Quênia saíram em defesa das parcerias que países em desenvolvimento mantêm com a China, contrariando as críticas das potências ocidentais. O encontro, realizado na França, contou com a presença dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e William Samoei Ruto, que argumentaram que os acordos com Pequim representam oportunidades econômicas para suas regiões.
Um dos documentos divulgados pelo G7 aponta que a economia chinesa estaria “desequilibrando” o comércio internacional, prejudicando especialmente Estados Unidos e Europa. O texto cita o superávit chinês de US$ 1,2 trilhão projetado para 2025 e o consumo “cronicamente” baixo como fatores que afetam a balança comercial ocidental.

Defesa das parcerias com a China
Lula afirmou aos líderes do G7 que, enquanto eles veem a economia chinesa como uma ameaça, os países não desenvolvidos a encaram como uma oportunidade. O presidente brasileiro destacou que a China é hoje o maior investidor na África e na América Latina, enquanto europeus e norte-americanos têm reduzido sua presença competitiva nessas regiões.
O presidente queniano, por sua vez, defendeu que a China é o parceiro disponível para seu país, sendo preferível tê-lo como aliado a não ter nenhum. Nos últimos 20 anos, a África tem se beneficiado da ascensão econômica chinesa, especialmente por meio de parcerias em infraestrutura de transporte, energia e indústria. Na América Latina, a China tornou-se o principal parceiro comercial da maioria dos países, o que tem levado os EUA a reafirmar sua proeminência na região.

Críticas do G7 à economia chinesa
O documento do G7 sobre desequilíbrios macroeconômicos aponta que “o aumento dos déficits e superávits excessivos em conta corrente reflete uma dinâmica de crescimento cada vez mais desequilibrada na China, na União Europeia e nos Estados Unidos”. O grupo também expressou preocupação com desequilíbrios em setores específicos como terras raras, veículos elétricos e outros, nos quais a China lidera o comércio global.
Além disso, o G7 critica a desvalorização do renminbi (RMB), moeda chinesa, que estaria favorecendo as exportações do país. O texto afirma que “a China responde por quase toda a valorização efetiva real do euro desde 2021” e defende “maior flexibilidade na taxa de câmbio do RMB”.
Resposta de Pequim
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, rebateu as críticas nesta quinta-feira (18). Segundo ele, as práticas chinesas estão de acordo com as normas internacionais. “Exortamos o G7 a observar com seriedade os princípios da economia de mercado e as regras do comércio internacional, e a parar de perturbar a ordem comercial internacional com regras criadas por um pequeno grupo”, declarou.
Documentos assinados pelo Brasil
Dos nove documentos firmados no G7, o Brasil assinou três: um sobre medidas de combate ao câncer; outro sobre proteção de crianças e adolescentes nas redes sociais; e um terceiro de combate ao narcotráfico, que não associa o tráfico de drogas ao terrorismo. O governo brasileiro considera que essa associação poderia servir como pretexto para intervenções estrangeiras.
Os demais documentos não foram endossados pelo Brasil por apresentarem uma “visão de mundo” própria do G7, diferente da perspectiva de países em desenvolvimento.