O Brasil mantém-se como o país que menos converte arrecadação de impostos em qualidade de vida entre as 30 nações com maior carga tributária do mundo, segundo a 15ª edição do Índice de Retorno de Bem-Estar à Sociedade (IRBES), elaborada pelo Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT) e divulgada com exclusividade pela CNN Brasil. O índice leva em conta dados de carga tributária e do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) referentes a 2024.
De acordo com o estudo, o Brasil ocupa a última posição do ranking pelo 15º ano consecutivo. O IRBES atribui peso de 15% à carga tributária e de 85% ao IDH, avaliando a relação entre o volume de tributos arrecadados e o retorno desses recursos à população por meio de serviços públicos e qualidade de vida.
Carga tributária elevada, IDH baixo
A carga tributária brasileira correspondeu a 32,32% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2024, percentual semelhante ao de países desenvolvidos. No entanto, o IDH de 0,760 resultou em um IRBES de 142,46 pontos, o menor entre os países analisados. Na avaliação do IBPT, o desempenho brasileiro indica que os recursos arrecadados continuam sendo aplicados de forma ineficiente.
“Apesar de termos uma carga tributária alta, digna de países desenvolvidos, como Reino Unido, França e Alemanha, o IDH nacional reflete um desenvolvimento humano muito precário”, afirma o estudo.
Líderes do ranking
A Irlanda lidera o ranking pelo sétimo ano consecutivo, com um IRBES de 170,37 pontos. O país é seguido por Suíça, Coreia do Sul – que apresentou melhora no resultado em comparação com a edição anterior –, Estados Unidos e Austrália. Entre os países sul-americanos presentes na lista, o Uruguai aparece na oitava posição, e a Argentina ocupa o 13º lugar.
Necessidade de eficiência e transparência
De acordo com o IBPT, o resultado reforça a necessidade de ampliar a eficiência dos gastos públicos e a transparência na aplicação dos recursos arrecadados. “Certamente, se existisse uma melhor aplicação das receitas públicas oriundas dos tributos, isso se refletiria em um bem-estar social muito mais elevado”, conclui o instituto.