O Brasil registrou a pior colocação de sua história no Ranking Mundial de Competitividade 2026, elaborado pelo IMD World Competitiveness Center (WCC) em parceria com a Fundação Dom Cabral (FDC). O país caiu sete posições e agora ocupa a 65ª colocação entre 70 economias analisadas, superando o piso anterior de 62º lugar registrado em 2024.

O recuo interrompe o avanço observado em 2025, quando o Brasil havia atingido a 58ª posição, sua melhor marca desde 2020. O ranking, produzido há 38 anos, mede a capacidade das economias de criar e sustentar um ambiente favorável ao desempenho empresarial, combinando dados estatísticos internacionais com a percepção de executivos sobre o ambiente de negócios de cada país — ao todo, são 341 indicadores. No Brasil, a apuração é conduzida pelo Núcleo de Inovação, IA e Tecnologias Digitais da FDC, sediado em Nova Lima (MG).

Deterioração em todos os pilares

O país apresentou queda em todas as quatro grandes dimensões analisadas: desempenho econômico, eficiência governamental, eficiência empresarial e infraestrutura. A maior perda relativa ocorreu na eficiência dos negócios, que despencou 11 posições. O desempenho econômico, embora ainda seja o melhor pilar brasileiro (36ª colocação), recuou seis lugares. Já a eficiência governamental manteve a trajetória de deterioração observada desde 2022, e a infraestrutura também piorou no comparativo anual.

Em termos globais, o Brasil aparece como o sexto pior colocado entre as 70 economias, à frente apenas de Botsuana, Mongólia, Nigéria, Namíbia e Venezuela. A situação repete padrão de anos anteriores, em que o país flertou com o fundo da tabela. O número de economias avaliadas cresceu de 61 (em 2015) para 70 na edição atual.

Pontos críticos e pontos fortes

Entre os indicadores mais negativos, o Brasil figura na última posição global em custo de capital, educação básica, endividamento corporativo e produtividade da força de trabalho. O estudo associa o resultado do custo de capital aos juros elevados, que encarecem decisões de investimento e reduzem a previsibilidade financeira dos projetos, com impacto direto sobre a formação de capital de longo prazo. A qualificação da mão de obra também é apontada como um gargalo significativo, com o país entre os piores colocados em educação e competências financeiras.

Apesar do recuo geral, alguns indicadores colocam o Brasil entre os mais bem avaliados do mundo. A capacidade de gerar empregos no longo prazo aparece como o principal ponto forte, na quinta colocação. Também figuram entre os melhores resultados:

  • Subsídios governamentais (5º lugar)
  • Participação de energias renováveis na matriz energética (5º lugar)
  • Fluxo de investimento direto estrangeiro (7º lugar)
  • Atividade empreendedora em estágio inicial (8º lugar)

Líderes e lanternas do ranking

No topo da classificação, Singapura assumiu a liderança após ocupar o segundo lugar em 2025, impulsionada pelo ambiente favorável aos negócios e pela solidez institucional. O país asiático é seguido por Hong Kong, Suíça e Taiwan. Os Emirados Árabes Unidos aparecem em quinto lugar e registram o melhor desempenho em performance econômica entre as 70 economias. Dinamarca, Países Baixos e Suécia completam a presença europeia no grupo dos dez primeiros. Na outra ponta, fecham a lista Botsuana, Mongólia, Nigéria, Namíbia e Venezuela.