O Brasil ocupa atualmente a 84ª posição no ranking de Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da ONU, atrás de Chile, Argentina e Uruguai na América do Sul. Em 2002, o país estava na 73ª colocação, o que indica uma piora significativa na qualidade de vida medida por saúde, educação e renda per capita.

Apesar de ser a décima economia mundial, o Brasil é o quinto país mais desigual do mundo, segundo o coeficiente de Gini da ONU, à frente apenas de África do Sul, Namíbia, Botsuana e Colômbia. O 1% mais rico detém 37,3% da riqueza nacional, enquanto os 50% mais pobres ficam com apenas 9,3%.

Em 2025, 10 milhões de brasileiros viviam na extrema pobreza, com renda mensal de R$ 218,00, e outros 45 milhões estavam na pobreza, com renda de R$ 497,00, de acordo com o Cadastro Único. Além disso, 70% dos aposentados do INSS recebem apenas um salário-mínimo, realidade também de 35 milhões de trabalhadores com carteira assinada.

O programa Bolsa Família atende 21 milhões de famílias, o equivalente a 60 milhões de pessoas ou 28% da população, com benefício médio de R$ 800,00. Em 13 estados, o número de beneficiários supera o de trabalhadores formais. O último reajuste ocorreu em março de 2023, e a inflação acumulada de 16% desde então reduziu o poder de compra do auxílio.

A corrupção é apontada como um dos principais entraves ao desenvolvimento. O Brasil ocupa a 108ª posição no Índice de Percepção da Corrupção da Transparência Internacional, atrás de 107 países com serviço público mais honesto. Estima-se que a corrupção consuma até 4% do PIB, mais de R$ 500 bilhões por ano, recursos que poderiam dobrar o orçamento do SUS e construir 700 mil moradias anualmente.

A dívida pública brasileira supera US$ 1,80 trilhão, cerca de R$ 10,3 trilhões ou 80% do PIB, contra 55% em 2002. O governo gasta aproximadamente R$ 1 trilhão por ano com juros, cinco vezes o valor destinado ao SUS. A carga tributária chega a 34,5% do PIB, maior que a de Argentina, Estados Unidos, Chile, China e México.

Os juros reais no Brasil são de 9,56% ao ano, a segunda maior taxa do mundo, e os encargos sociais sobre salários atingem 42,8%, acima da média de 34,8% dos países da OCDE. Esse cenário contribuiu para um recorde de 2.466 empresas em recuperação judicial em 2025, com destaque para o agronegócio, que responde por 30% dos pedidos.

O endividamento das famílias compromete de 27,9% a 30% da renda mensal, ante 16,6% há dez anos. Em ano eleitoral, o governo lança programas de quitação de dívidas e defende a jornada 5x2, medidas que, segundo o autor, surgem como promessas para agradar o eleitorado.

O artigo é assinado por Samuel Hanan, engenheiro, empresário e ex-vice-governador do Amazonas, autor de livros sobre economia e desenvolvimento.

Com informações de Gazeta do Povo.