A Bolívia atravessa a pior crise econômica em 40 anos, cenário que alimenta uma onda de protestos que pede a renúncia do presidente Rodrigo Paz, de centro-direita, no cargo há sete meses. A crise decorre de decisões do Movimento ao Socialismo (MAS), fundado por Evo Morales, que governou por três mandatos consecutivos.
Entre os fatores estão a grave escassez de combustíveis, causada pela queda na produção interna de hidrocarbonetos e pela falta de dólares para importar o necessário. Os subsídios aos combustíveis custavam mais de US$ 2 bilhões ao ano aos cofres públicos, segundo Paz, que os cortou ao assumir, gerando nova insatisfação. O país também registra déficit comercial de US$ 521 milhões entre janeiro e outubro de 2025, inflação anual de 20% e descontrole dos gastos do Executivo.
Contexto político e medidas impopulares
O descontentamento com o MAS, somado à fragmentação da esquerda, levou à eleição de Paz em outubro de 2024, com 54% dos votos, derrotando o candidato mais radical Jorge “Tuto” Quiroga. Filho do ex-presidente esquerdista Jaime Paz Zamora, Paz migrou da militância de esquerda para posições conservadoras.
Após assumir, ele decretou estado de emergência econômica e adotou medidas liberais, além de uma controversa reforma agrária que, segundo críticos, beneficiaria latifundiários e o agronegócio. As ações intensificaram o mal-estar e desencadearam protestos a partir de maio. Em um mês, mais de 90 estradas seguem bloqueadas, quatro pessoas morreram em confrontos com a polícia e mais de 100 foram detidas. As negociações não avançam, e Paz está cada vez mais isolado.
Com informações de Veja.