O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) já tem 56 projetos pré-selecionados para o desenvolvimento da prospecção, da extração e das cadeias industriais dos minerais estratégicos brasileiros, com aportes que já somam R$ 45,8 bilhões em investimentos potenciais.
O banco ultrapassou a estimativa inicial dos investimentos no setor mineralógico em cerca de nove vezes, em parceria com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).
A intenção é fortalecer a produção nacional dos insumos críticos para a transição energética (minerais como o lítio, o grafite, o cobre e as chamadas terras raras, grupo de 17 elementos de difícil extração e beneficiamento), além de incentivar a entrada de capitais em projetos relacionados.
O Brasil, que aprovou recentemente seu marco regulatório para os minerais críticos e estratégicos, quer estimular a transformação industrial dos minerais em escala nacional a fim de agregar valor às cadeias produtivas, que costumam estacionar na exportação dos insumos em forma bruta.
De acordo com José Luís Gordon, diretor de Desenvolvimento Produtivo, Inovação e Comércio Exterior do BNDES, a prioridade dos investimentos é financiar projetos capazes de internalizar as etapas de refino, processamento químico e manufatura dos elementos.
O Brasil tem algumas das maiores reservas mundiais de minerais estratégicos: sai na frente sobretudo na cadeia do lítio, do grafite e do manganês, e é o segundo maior detentor de terras raras.
Já há memorandos de entendimento assinados com potências do BRICS, com a União Europeia e com o Canadá.
O primeiro projeto aprovado entre os 56 selecionados pelo BNDES é da WEG, uma das maiores fabricantes brasileiras de motores elétricos e equipamentos industriais, que vai receber R$ 280 milhões da linha de crédito Mais Inovação para construir uma fábrica de baterias para armazenamento energético (os BESS, Battery Energy Storage Systems) em Itajaí (SC).
Os sistemas BESS armazenam energia em larga escala e vêm se tornando centrais na estabilização das redes elétricas que sofrem com limitações de capacidade.
Outro mecanismo importante é o fundo de investimento em participações (FIP) estruturado entre o BNDES e a Vale, que vai captar R$ 1,5 bilhão para até 20 mineradoras de pequeno e médio porte que realizam o processo de prospecção geológica (levantamentos e perfurações em áreas com potencial extrativo).
O banco também firmou um protocolo de intenções com a Petrobras para desenvolver uma iniciativa semelhante.
No meio da corrida global pelos minerais, a União Europeia já classificou quatro projetos brasileiros como prioritários para cooperação estratégica, incluindo o projeto Colossus, da mineradora australiana Viridis Mining & Minerals, em Poços de Caldas.
Segundo Gordon, o BNDES discute soluções com bancos privados para melhorar a garantia financeira dos projetos minerários, com instrumentos híbridos de crédito e modelos para contratos futuros de compra (offtake agreements), que podem ser assinados com futuros clientes industriais do setor.