O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) anunciou nesta sexta-feira (19), em Roma, a liberação de US$ 5,8 bilhões para a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, iniciativa apoiada pelo governo brasileiro. O montante se soma aos US$ 4,1 bilhões alocados no ano passado para programas sociais em diferentes países, totalizando aproximadamente US$ 10 bilhões — o equivalente a 40% da meta de US$ 25 bilhões que o BID propôs financiar até 2030.

Objetivos e composição da Aliança

Segundo o banco, a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza busca “acelerar o progresso na erradicação da fome e da pobreza por meio de apoio coordenado de seus membros a políticas e programas nacionais de grande escala e baseados em evidências”. A Aliança reúne mais de 215 membros, incluindo mais de 107 países, 31 organizações internacionais, 14 instituições financeiras internacionais e mais de 63 organizações filantrópicas e não governamentais.

Condições dos recursos

Os recursos podem ser utilizados tanto para empréstimos quanto para cooperação técnica com doação de valores. O detalhamento por país, com a discriminação entre valores doados e valores a serem pagos como empréstimo, será divulgado na próxima semana, de acordo com o BID.

Os juros dos empréstimos do BID para o setor público baseiam-se na taxa diária de financiamento overnight garantido (SOFR, na sigla em inglês), acrescida da margem de captação do banco e do spread do empréstimo (diferença entre a captação e o crédito concedido).

Contexto institucional

Desde dezembro de 2022, o BID é presidido pelo economista brasileiro Ilan Goldfajn, que comandou o Banco Central durante o governo de Michel Temer (2016 a 2018). O banco é formado por 48 países. Destes, 26 são membros mutuários da América Latina e do Caribe — como o Brasil — e podem receber financiamentos. Os outros 22 membros não mutuários (Estados Unidos, Canadá, países da Europa e da Ásia) participam da capitalização, mas não obtêm empréstimos.

A Aliança Global contra a Fome e a Pobreza tem como co-presidentes a secretária de Estado para Cooperação Internacional da Espanha, Eva Granados, e o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome do Brasil, Wellington Dias.