A Bélgica chega à Copa do Mundo de 2026 sem o peso de encantar o mundo como na era da "nova geração belga". Embora nomes como Romelu Lukaku e Kevin De Bruyne permaneçam no elenco, o contexto e a equipe são diferentes. Após a Eurocopa, a federação belga contratou Rudi Garcia como treinador, e os Diabos Vermelhos se transformaram em um time mais direto, rápido e agressivo.

O grande destaque da nova fase é Jérémy Doku, ponta do Manchester City, que surge como candidato a protagonista ao lado de De Bruyne. A base tática é um 4-2-3-1, com De Bruyne e Lukaku centralizados, mas as movimentações vão além do esquema inicial: Doku e Trossard ficam mais fixos nas pontas, enquanto Tielemans e Onana avançam com frequência, e a defesa se mantém mais compacta, sem subir a marcação a todo instante.

Saída sustentada e conexão ofensiva

A construção das jogadas começa com a chamada "saída sustentada". O lateral do lado da bola recua, e o volante ou o meia central — geralmente De Bruyne — se aproxima para receber. O objetivo é atrair a marcação adversária e, em seguida, acionar os pontas em velocidade. Esse movimento não é estático: o lateral pode avançar, e Onana busca a bola pelo lado, preparando o terreno para que o ataque receba em condições de progredir e criar desordem na defesa rival.

No setor ofensivo, a Bélgica explora bastante as jogadas em profundidade. Pelo lado esquerdo, Doku é acionado com frequência, e sua conexão com De Bruyne é um dos pontos fortes da equipe. Já Trossard, na direita, adota um estilo mais associativo, priorizando toques de bola. O quarteto formado por Doku, Trossard, Lukaku e De Bruyne está entre os mais perigosos do torneio.

Maturidade de De Bruyne e pressão alta

De Bruyne vive um momento de maturidade na seleção. Continua como o principal armador e camisa 10, mas agora chega ao ataque com menos frequência e mais qualidade, aproveitando melhor os espaços. Garcia abandonou a ideia de uma defesa recuada e implementou uma marcação alta constante, com o time subindo a pressão para roubar a bola no campo adversário e entregá-la rapidamente ao ataque.

Amadou Onana, recém-campeão da Liga Europa pelo Aston Villa, é peça-chave nesse sistema. Como primeiro volante, ele sobe a marcação, fecha linhas de passe e ganhou experiência na leitura de jogo. No entanto, a equipe mostra fragilidade quando Onana está adiantado: roubadas de bola pelo meio, nas costas da dupla de volantes, podem ser um problema, especialmente contra adversários físicos ou com atacantes que buscam profundidade, como ficou evidente no amistoso contra o México.

Grupo acessível e expectativas

A Bélgica está em um dos grupos mais fracos da Copa, ao lado de Egito, Irã e Nova Zelândia. A expectativa é de uma classificação tranquila para as oitavas de final, sem grandes pressões. Para De Bruyne, esta pode não ser a "última dança", mas é sua última chance de chegar a um Mundial em plenas condições físicas para fazer a diferença, dividindo o protagonismo com Doku, Trossard e outros talentos que orbitam ao seu redor.

Com informações de ge — Globo Esporte.