A seleção belga de futebol, que por anos foi conhecida como a 'geração de ouro', passa por um processo de renovação. Com a saída de Eden Hazard e o envelhecimento de Vertonghen e Alderweireld, o time perdeu força física e profundidade de elenco, mas encontrou uma nova identidade sob o comando de Rudi Garcia.
De acordo com a análise, a Bélgica de 2026 é mais vertical e direta, dependendo de explosões individuais. O time aceita partidas caóticas e encontrou nesse caos sua melhor chance competitiva. No centro de tudo está Kevin De Bruyne, que controla o ritmo da equipe. O meia, atualmente no Napoli, segue sendo o principal organizador do ataque, com lançamentos diagonais e passes verticais.
No entanto, a seleção depende excessivamente de De Bruyne. Quando ele desacelera, a Bélgica perde criatividade. Um exemplo foi a sequência de jogos das eliminatórias: com De Bruyne, a Bélgica empatou com a Macedônia do Norte e venceu o País de Gales; sem ele, empatou com o Cazaquistão, 83º no ranking da FIFA, mesmo com um homem a mais.
Nesse contexto, Jérémy Doku tornou-se a válvula de escape ofensiva. O ponta do Manchester City gera desequilíbrio em espaço curto, atraindo marcações e quebrando linhas. Porém, o modelo pode tornar o time previsível contra defesas organizadas.
Romelu Lukaku ainda exerce impacto estrutural, especialmente na área, mas sua condição física é questionada, e a Bélgica não encontrou um sucessor definitivo para a posição.
Defensivamente, as dúvidas aumentaram. A seleção perdeu agressividade sem bola e sofre contra equipes rápidas. Nesse cenário, Thibaut Courtois assume papel gigantesco, mascarando fragilidades com defesas decisivas.
No meio-campo, Amadou Onana equilibra fisicamente o time, permitindo liberdade criativa a De Bruyne. Youri Tielemans oferece controle e qualidade de passe, enquanto Charles De Ketelaere e Leandro Trossard trazem versatilidade ao ataque.
A Bélgica deixou de ser um time puramente técnico para se tornar funcional, com mais pragmatismo. A sensação é de que a equipe é inferior às grandes favoritas, mas capaz de eliminá-las, graças a jogadores decisivos, experiência e perigo em transição ofensiva. Sem a obrigação histórica de vencer, a Bélgica chega mais humana e imprevisível — o que pode ser sua maior vantagem.
Com informações de ge — Globo Esporte.