O Banco Central (BC) pediu que o BTG Pactual e a XP Investimentos não suspendessem totalmente as negociações com o Banco Master, conforme revela reportagem da edição deste mês da Revista Piauí. A diretoria de Fiscalização da autoridade monetária teria telefonado para as instituições aconselhando mais cautela, sob o argumento de que uma interrupção abrupta poderia desencadear uma corrida bancária e gerar uma crise de liquidez no sistema financeiro.

Segundo a reportagem, BTG e XP chegaram a discutir a suspensão total das operações, inclusive no mercado secundário, que permitia a venda de títulos entre clientes. No entanto, o pedido do BC contribuiu para manter ativa a cadeia de ardis do Master, que dependia de novas emissões para honrar compromissos.

O BTG já havia interrompido a distribuição de novos CDBs do Master no fim de 2024 e orientado clientes a não investir mais que R$ 250 mil – teto do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A XP também parou de distribuir novos títulos no início de 2025. O movimento foi decisivo para a derrocada do banco de Daniel Vorcaro.

Ainda no início de 2025, o BTG deixou de repassar ao Master os ganhos de uma carteira de crédito de R$ 600 milhões do Credcesta, cartão de crédito consignado que ambos detinham em sociedade. Em reunião interna em março de 2025, diretores do BTG concluíram que seria menos oneroso enfrentar disputas judiciais do que arcar com um possível default da operação.

O BTG também se movimentou para estruturar uma solução de mercado que assumisse os ativos mais saudáveis do Master, com recursos do FGC e a saída de Vorcaro. A proposta não avançou, pois outros bancos avaliaram que o fundo arcaria com as perdas enquanto o BTG capturaria os ativos mais valiosos. O BTG negou envolvimento quando a negociação veio a público.

A crise expôs a rivalidade entre os banqueiros André Esteves (BTG) e Daniel Vorcaro (Master). Vorcaro descrevia Esteves como “inimigo” e dizia estar em “guerra” com ele. Em mensagens obtidas pela reportagem, Vorcaro afirmava que Esteves tentava destruí-lo, manipulando o BC e plantando notícias na imprensa. Por outro lado, Vorcaro mostrava-se envaidecido com elogios de Esteves a ativos do Master.

Vorcaro também atuou no Congresso para travar uma Medida Provisória que beneficiaria o setor bancário, mas excluía o Master. A MP só avançou após executivos do Santander e Bradesco esclarecerem que a medida era essencial para eles, não para o BTG.

O ministro Alexandre de Moraes, do STF, teria dito a interlocutores que acredita que informações sobre o contrato milionário de sua mulher com o Master foram obtidas pela equipe econômica do governo e vazadas à imprensa por Esteves. Moraes chegou a desconvidar o amigo Rodrigo Maia de sua festa de aniversário após Maia ingressar no BTG, mas as pazes foram feitas. Esteves teme ser alvo de investigação criminal autorizada por Moraes sobre possível insider trading que apura lucro de R$ 500 milhões no dia do anúncio do tarifaço de Donald Trump contra o Brasil.

Com informações de Revista Piauí.