No último fim de semana, a cidade de Colmar, na Alsácia, sediou mais uma edição dos banquets géants (banquetes gigantes), eventos gastronômicos que se popularizaram no interior da França e se tornaram alvo de controvérsia política. Organizados pela empresa Le Canon Français, os banquetes reúnem milhares de pessoas que pagam 81 euros (cerca de R$ 483) por quatro pratos da gastronomia local, vinho à vontade e horas de cantoria.

O partido de esquerda radical La France Insoumise (LFI) critica os eventos, afirmando ter evidências de cânticos racistas e insultos a funcionários imigrantes. A LFI também alega que o cardápio, frequentemente à base de carne de porco, exclui muçulmanos e vegetarianos, e aponta o envolvimento financeiro do empresário ultraconservador Pierre-Edouard Stérin, bilionário que defende restrições à imigração, proibição do aborto e promoção da herança cristã francesa.

Emma Fourreau, membro do Parlamento Europeu pela LFI, afirmou que a empresa aceitou o investimento de Stérin por compartilhar o mesmo ecossistema político, cujo objetivo é levar a direita radical ao poder. "Se estivessem agindo de boa-fé, Le Canon Français nunca teria aceitado Stérin como investidor", declarou.

No banquete de Colmar, realizado em um galpão nos arredores da cidade, os participantes rejeitaram as acusações. Em clima festivo, os convidados — majoritariamente jovens entre 20 e 30 anos — usavam boinas e suspensórios, e cantavam clássicos de artistas como Michel Delpech e Joe Dassin. Muitos disseram que a polêmica é exagerada e que o envolvimento de Stérin deu à LFI uma desculpa para atacar, em ano de eleições.

Os organizadores, Pierre-Alexandre de Boisse e Géraud de la Tour, afirmam que os banquetes resgatam uma tradição francesa de jantares coletivos que remonta à Idade Média. De Boisse nega as acusações de racismo e exclusão, destacando que todos os participantes assinam uma carta de princípios que exige respeito. Ele também afirma que a carne de porco não é o único item do cardápio e que as alegações de saudação nazista são infundadas.

Quanto a Stérin, de Boisse diz que nunca o conheceu e que o investidor comprou uma participação de 30% por considerar o negócio lucrativo. A LFI, por sua vez, tenta impedir a realização dos banquetes em algumas cidades, como Quimper, na Bretanha, e uma investigação policial está em andamento em Caen por suspeita de provocação racial.

Com informações de BBC News Brasil.