Edir Macedo, bispo da Igreja Universal e controlador do Banco Digimais. Foto: Reprodução.
A Fitch rebaixou a classificação de risco no rating nacional do Banco Digimais na segunda-feira (22/6), um dia antes de a Polícia Federal deflagrar uma operação contra a instituição financeira. A agência apontou possibilidade real de quebra ou calote do banco controlado pelo bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus.
Na decisão, a Fitch afirmou que o Digimais apresenta vulnerabilidade para seguir funcionando sem apoio externo. “A capacidade de o banco manter suas operações sem suporte é altamente vulnerável a uma deterioração do ambiente de negócios e econômico”, diz a decisão.
A agência analisa títulos de dívida, emissores e instrumentos financeiros para medir risco de crédito. Notas altas indicam baixo risco no grau de investimento, enquanto notas baixas apontam alto risco especulativo.
A Fitch também citou mudanças na governança do banco, incluindo troca no comando executivo e saída do Conselho de Administração. “As alterações relevantes na governança corporativa do banco, incluindo a substituição do CEO e a destituição do Conselho de Administração, somam-se a esse quadro e reduzem a previsibilidade sobre a execução de sua estratégia e de sua capacidade de estabilizar o desempenho financeiro”, informou a agência.
App do banco Digimais no celular. Foto: Paulo Renato Nepomuceno/Agência O Globo
Operação Miragem mira a cúpula do Banco Digimais
A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta terça-feira (23/6), a Operação Miragem contra a cúpula do Banco Digimais. A investigação mira administradores da instituição controlada por Edir Macedo.
A Justiça autorizou buscas e determinou a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados. A decisão também determinou o bloqueio de bens e valores de até R$ 670,3 milhões.
Segundo a PF, há suspeitas de que administradores do banco tenham criado mecanismos para apresentar uma situação financeira mais favorável do que a real. A investigação aponta alteração de informações contábeis e geração artificial de receitas.
A Fitch também decidiu retirar todos os ratings do Digimais por insuficiência de informações. “A retirada reflete a avaliação da agência de que não será capaz de manter o monitoramento adequado das classificações, tendo em vista a ausência de informações financeiras suficientes, confiáveis e verificáveis”, diz a agência.