A diretoria de Fiscalização do Banco Central (BC) entrou em contato com o BTG Pactual e a XP Investimentos para pedir que não suspendessem completamente as negociações com o Banco Master, conforme apurou a revista piauí. A medida foi motivada pelo receio de que uma interrupção abrupta desencadeasse uma corrida bancária e uma crise de liquidez no sistema financeiro. O pedido, mantido até agora em sigilo, contrariou o movimento inicial das instituições, que já haviam parado de distribuir novos Certificados de Depósito Bancário (CDBs) do Master.
Contexto da crise do Master
O Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, enfrentava dificuldades crescentes no final de 2024, quando o BTG aconselhou seus clientes a não investir mais de R$ 250 mil em CDBs do Master – valor equivalente ao teto de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Em seguida, o BTG interrompeu a distribuição de novos títulos. A XP também parou de distribuir no início de 2025.

As duas instituições chegaram a discutir a suspensão total das operações, incluindo no mercado secundário, mas o BC interveio. O órgão regulador argumentou que uma paralisação completa poderia provocar um efeito dominó, contribuindo indiretamente para a manutenção da cadeia de fraudes do Master, segundo a reportagem.
Relações e rivalidades entre banqueiros
André Esteves, controlador do BTG, é um dos banqueiros com maior trânsito político desde a redemocratização. Durante o governo Lula, aproximou-se do ministro Fernando Haddad e atuou para a nomeação de Gabriel Galípolo no Banco Central. Já Daniel Vorcaro construiu influência no Congresso e no STF, mas nunca teve acesso direto ao Palácio do Planalto.
Em mensagens trocadas com a ex-noiva Martha Graeff, Vorcaro descrevia Esteves como “inimigo” e afirmava estar em “guerra” contra ele. Vorcaro também acusava Esteves de plantar notícias negativas na imprensa e manipular o BC. Por outro lado, Esteves teria tentado comprar o Master em diferentes ocasiões, inclusive durante a negociação com o BRB.
O BTG, antes mesmo das operações policiais, deixou de repassar ao Master os ganhos de uma carteira de crédito de R$ 600 milhões do Credcesta, um cartão de crédito consignado. A decisão foi tomada por Esteves, que temia não receber os valores em caso de quebra do banco. Em reunião interna em março de 2025, diretores do BTG concluíram que seria menos oneroso enfrentar disputas judiciais do que arcar com um eventual default.
Tentativa de solução e impasse
O BTG tentou estruturar uma solução para assumir os ativos saudáveis do Master, com o FGC entrando com recursos e Vorcaro saindo do negócio. A proposta, no entanto, não avançou porque as outras instituições contribuintes do FGC avaliaram que o fundo arcaria com a maior parte das perdas enquanto o BTG ficaria com os melhores ativos.
A relação entre Esteves e Vorcaro também teve repercussões no STF. O ministro Alexandre de Moraes, que deu mais abertura a Vorcaro do que a Esteves, passou a ver o banqueiro do BTG como inimigo, acreditando que informações sobre o contrato milionário de sua mulher com o Master foram vazadas por Esteves. Em julho de 2025, Moraes abriu uma investigação por possível insider trading, que apura lucros de cerca de R$ 500 milhões obtidos no dia em que Donald Trump anunciou tarifaço contra o Brasil.
Desdobramentos
Vorcaro foi preso em novembro de 2024, e em mensagens anteriores à prisão já se referia à ação como “a batida do Esteves”. O BTG nega envolvimento na negociação para assumir ativos do Master, temendo parecer que interferia diretamente na crise. A reportagem completa está na edição de fevereiro da revista piauí.