A carcaça da baleia-jubarte Timmy, que ganhou destaque na imprensa após encalhar repetidamente na costa do mar Báltico, foi arrastada neste sábado (30) para as proximidades de uma praia na Dinamarca, onde autoridades a retiraram das águas rasas. Na próxima quinta-feira (4), o animal passará por uma autópsia de seis horas para determinar a causa da morte, informou a Agência Dinamarquesa da Natureza.
O exame é aguardado para esclarecer a real condição do mamífero após a polêmica operação de resgate, conduzida pela iniciativa privada. Apesar de alertas de especialistas e após sucessivas tentativas malsucedidas, autoridades alemãs autorizaram o transporte da baleia em uma barcaça para ser solta no mar do Norte, medida que não foi suficiente para salvá-la.
Timmy foi encontrada morta em 14 de maio, encalhada perto da pequena ilha de Anholt. O corpo ficou por cerca de duas semanas à deriva nas águas próximas ao local até ser recolhido.
Além disso, a equipe buscará sinais de equipamentos de pesca ou plástico no sistema digestivo, fatores que contribuíram para mortes de outras jubartes em águas dinamarquesas nos últimos anos.
O pesquisador de baleias Peter Teglberg Madsen, que participa de exames desse tipo há 25 anos, afirma que o objetivo central é esclarecer a causa da morte, o que pode indicar "se a baleia poderia ter sido salva ou não".
O uso da barcaça para o transporte de Timmy — necessário porque o animal não conseguia completar o trajeto sozinho — já havia sido amplamente criticado. Especialistas alertavam que a jornada poderia causar ainda mais estresse e levar ao afogamento após a soltura. A manobra de liberação também gerou controvérsia pelo uso de cordas na nadadeira caudal para puxá-la de ré para fora da embarcação.
Para Madsen, a operação foi "pura crueldade animal". Segundo ele, tratava-se de "um animal doente e emagrecido que não poderia ser salvo, e eles simplesmente deveriam tê-la deixado em paz".
Alguns moradores da ilha turística — que tem cerca de 150 habitantes — expressaram frustração com a atenção e com a presença da carcaça em uma das principais praias.
A agência ambiental pediu que as pessoas não se aproximem do animal devido ao risco de infecção. A carcaça, inchada pelos gases da decomposição, também pode explodir.
Autoridades haviam desistido anteriormente de rebocar a baleia para águas mais profundas com o objetivo de levá-la a um porto no continente.
Com informações de Folha — Ambiente.