Uma baleia-fin (Balaenoptera physalus), segunda maior espécie de baleia do mundo, foi avistada no último domingo (14) em Ilhabela, no litoral norte de São Paulo. O registro é o primeiro da espécie no ano de 2026, segundo informações de veículos locais. O avistamento foi feito pelo capitão da embarcação Ximanguinho, que realiza expedições de observação de baleias entre Ilhabela e o canal de São Sebastião, onde o animal foi encontrado.
Avistamento inédito em 2026
O canal de São Sebastião, que separa os municípios de São Sebastião e Ilhabela, tem 30 quilômetros de extensão e profundidade máxima de 42 metros. A região é rota de baleias-jubarte, que costumam ser vistas entre o fim de maio e agosto. Este ano, o primeiro registro de jubartes também ocorreu em Ilhabela, arquipélago situado a cerca de 212 quilômetros da capital paulista.

Características da baleia-fin
A baleia-fin é o segundo maior mamífero do mundo, atrás apenas da baleia-azul, podendo atingir entre 18 e 27 metros de comprimento e pesar até 80 toneladas. Possui coloração assimétrica — mandíbula direita branca e mandíbula esquerda preta — e corpo alongado. Extremamente rápida, nada a velocidades próximas de 35 a 40 km/h.
Embora mais associada a águas frias e temperadas, a espécie tem distribuição cosmopolita e ocorre em praticamente todos os oceanos. No Atlântico Sul ocidental, os registros são relativamente raros, especialmente no Sudeste do Brasil. Há ocorrências esparsas entre os estados do Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Fatores ecológicos e conservação
A presença da baleia-fin em Ilhabela pode estar relacionada a correntes frias sazonais, que alteram rotas migratórias, ou à maior disponibilidade de alimento devido à ressurgência costeira — fenômeno em que águas profundas, frias e ricas em nutrientes chegam à superfície.
Historicamente, a espécie foi severely afetada pela caça comercial no século passado, que reduziu sua população mundial em centenas de milhares de indivíduos, até a moratória internacional imposta pela Comissão Baleeira Internacional (International Whaling Commission). Hoje, a baleia-fin é classificada como vulnerável globalmente pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).
Nos últimos anos, pesquisadores observam aumento de registros de cetáceos no Atlântico Sul ocidental. Os cetáceos de grande porte, que estão no topo das cadeias tróficas marinhas, funcionam como indicadores da saúde dos oceanos, especialmente quando aparecem em áreas costeiras.