Durante décadas, difundiu-se a ideia de que o corpo humano seria composto por 90% de bactérias e apenas 10% de células humanas. Essa estimativa, originada na década de 1970, foi contestada por um estudo de 2016, que realizou uma contagem mais precisa e concluiu que a proporção é bem diferente.

Segundo a pesquisa, um adulto típico possui cerca de 30 trilhões de células humanas e 38 trilhões de bactérias — estas últimas, seres unicelulares. Assim, as bactérias correspondem a aproximadamente 55% do total de células do organismo. É importante destacar que esse percentual se refere ao número de células, não à massa corporal: a massa total das bactérias em um adulto comum é de apenas 0,2 kg, conforme o mesmo estudo.

Variação entre indivíduos

A quantidade de bactérias pode variar significativamente de pessoa para pessoa, influenciada por fatores como características corporais e conteúdo intestinal. Os autores do estudo apontam que idade e sexo têm impacto relativamente pequeno na estimativa, enquanto etnia e localização geográfica podem exercer maior influência.

Por que não parecemos bactérias?

A diferença visual entre humanos e bactérias se deve ao tamanho das células. Uma célula eucariótica humana, com núcleo definido, é muito maior em dimensões físicas do que uma célula procariótica bacteriana, que não possui núcleo definido. Por isso, apesar de serem numericamente superiores, as bactérias ocupam pouco volume e massa.

Influência no organismo e no genoma

As bactérias que habitam o corpo humano — a microbiota — não são meras passageiras: elas influenciam o funcionamento do organismo e a expressão gênica. O genoma humano contém cerca de 20 mil genes, enquanto o conjunto de genes de todas as bactérias da microbiota soma aproximadamente 20 milhões de genes microbianos.

“Não temos apenas um genoma. Os genes do nosso microbioma representam essencialmente um segundo genoma que aumenta a atividade do nosso próprio. O que nos torna humanos é, na minha opinião, a combinação do nosso próprio DNA com o DNA dos nossos micróbios intestinais”, afirmou o microbiólogo Sarkis Mazmanian, do California Institute of Technology (Caltech), em entrevista à BBC.

Onde estão e como surgem

As bactérias são encontradas em diversas partes do corpo, como trato gastrointestinal, pele, saliva, mucosa oral e conjuntiva. O maior reservatório é o cólon do intestino grosso, seguido pela pele.

A colonização inicial ocorre principalmente nas primeiras 24 horas de vida. Ao deixar o ambiente uterino, o bebê entra em contato com microrganismos da mãe — presentes no canal vaginal e em resíduos fecais — e do ambiente ao redor, como mãos de profissionais, objetos, superfícies e ar. As primeiras refeições também levam bactérias ao sistema digestivo. O tipo de parto (natural ou cesárea) e o tipo de alimentação (amamentação ou fórmula) podem alterar drasticamente a composição da microbiota.

Essa colonização precoce pode influenciar a saúde da pessoa por muitos anos, com efeitos que podem persistir ao longo de toda a vida.

Com informações de Super Interessante.