O filme de terror Backrooms, que estreou nos cinemas brasileiros em 28 de maio de 2026, tornou-se um dos maiores sucessos do ano. Em menos de uma semana, arrecadou mais de US$ 100 milhões (R$ 517 milhões) em bilheterias mundiais, com um orçamento modesto de US$ 10 milhões (R$ 52 milhões). O longa é uma adaptação do fenômeno da internet que começou em 2019, quando usuários anônimos do fórum 4chan foram convidados a postar imagens inquietantes.

Um dos usuários publicou a foto de um escritório abandonado com papel de parede amarelo-mostarda e iluminação fluorescente, acompanhada de um texto que descrevia um lugar onde não há nada além do cheiro de carpete velho, o zumbido de luzes fluorescentes e aproximadamente 600 milhões de quilômetros quadrados de salas vazias. A publicação alertava que, se alguém ouvisse algo rondando, já era tarde demais.

Do YouTube para Hollywood

O conceito ganhou vida nas mãos de Kane Parsons, que tinha 16 anos quando criou uma minissérie no YouTube usando o software de computação gráfica Blender. A série acumulou mais de 200 milhões de visualizações. O estúdio A24 — responsável pelo indicado ao Oscar A Substância — recrutou Parsons, hoje com 20 anos, para dirigir a adaptação cinematográfica, tornando-o o diretor mais jovem da história do estúdio.

Parsons afirmou que o que mais o empolgou foi poder usar um orçamento de Hollywood para trazer uma "fisicalidade real" ao projeto. A equipe construiu um cenário de aproximadamente 2,8 mil metros quadrados, baseado nos projetos originais do Blender. O primeiro vídeo de Parsons, intitulado Found Footage, já havia acumulado 80 milhões de visualizações e apresentava imagens tremidas de um prédio de escritórios amarelado, filmadas com uma câmera dos anos 1990.

Trama e simbolismo

Escrito por Will Soodik, o filme usa os backrooms para explorar a saúde mental. O indicado ao Oscar Chiwetel Ejiofor interpreta Clark, um vendedor de móveis frustrado após o fim do casamento. Com a ajuda da terapeuta Mary (Renate Reinsve), ele descobre uma passagem para os backrooms, um espaço que se alimenta de seus traumas não resolvidos.

A especialista em neurociência e arquitetura Meredith Banasiak explicou que corredores e portas frequentemente desencadeiam o chamado "efeito de porta", que confunde o cérebro. "Quando os espaços começam a se fundir, nossa maneira de lembrar também começa a se fundir", disse. O filme leva isso ao extremo, tornando-se um símbolo físico de memórias que se dissolvem.

Fenômeno cultural

O conceito de backrooms tem um fórum no Reddit com mais de 350 mil inscritos. Os moderadores afirmam que se trata menos de monstros e mais da incerteza do que pode existir no espaço com você. No TikTok, vídeos sobre o assunto acumularam mais de 30 bilhões de visualizações, demonstrando a popularidade entre a Geração Z.

Há também um jogo de sobrevivência gratuito chamado Backrooms no Steam e experiências na plataforma Roblox. A pesquisadora de internet Gunseli Yalcinkaya sugeriu que a nostalgia por espaços pré-internet e o isolamento da pandemia de covid explicam o apelo entre os jovens. "Já existe a sensação de que a realidade está falhando, nada mais parece real", disse.

O trailer do filme tornou-se um dos vídeos mais vistos da A24, com 31 milhões de visualizações. Para Matthew Frank, autor da newsletter Crowd Pleaser do The Ankler, o salto do YouTube para a tela grande "representa uma mudança radical" em Hollywood, que busca tanto o público quanto cineastas da cultura nascida na internet. O produtor executivo Chris White descobriu o trabalho de Parsons depois que seu filho adolescente insistiu para que ele assistisse.

Parsons disse que temia que sua pouca experiência pudesse afetar a percepção dos colegas no set, mas isso "nunca foi um problema". "Quase imediatamente, éramos só nós, isolados de todos os outros, falando sobre o projeto... Compensei qualquer falta de experiência com uma atitude totalmente obsessiva", afirmou.

Com informações de BBC News Brasil.