A Azul Linhas Aéreas intensificará os cortes de capacidade de voos em razão dos preços mais altos do combustível de aviação, influenciados pelo conflito no Irã, conforme declarou o presidente-executivo da companhia, John Rodgerson. Em entrevista à Reuters, ele afirmou que a empresa continuará reduzindo frequências para preservar o caixa em um cenário de incertezas.
Rodgerson explicou que as principais empresas do setor vêm ajustando a oferta para equilibrar a demanda diante dos custos elevados, e a Azul seguirá essa tendência, ampliando os cortes já realizados anteriormente. “Quando fizemos nossos cortes iniciais, pensamos que a guerra já teria terminado”, disse ele, em preparação para uma reunião de líderes de companhias aéreas globais no Rio de Janeiro. “Mas ela continua, então vamos continuar a cortar algumas frequências de forma oportunista, certificando-nos de que estamos voando apenas coisas que fazem sentido.”
No segundo trimestre, a maior parte das reduções ocorreu em rotas internacionais. Os novos ajustes, segundo Rodgerson, concentram-se em frequências domésticas, sem a retirada de cidades inteiras. “Você voa para Curitiba seis vezes por dia? Talvez, com esses preços de combustível, devessem ser quatro”, exemplificou. A companhia está priorizando seus principais hubs em Campinas, Belo Horizonte e Recife.
Rodgerson destacou que a Azul ainda não eliminou cidades de sua malha, mas que essa possibilidade está sempre em avaliação. “Primeiro você começa com a utilização e o corte de frequências. Você não quer estar utilizando uma aeronave 13, 14 horas por dia quando os preços dos combustíveis dobram.”
O executivo afirmou que o balanço patrimonial da Azul, após uma grande reestruturação da dívida, coloca a empresa em posição mais forte que alguns concorrentes para se adaptar. A companhia saiu do processo do Capítulo 11 em fevereiro com apoio da United Airlines e da American Airlines.
A Azul espera que os preços do combustível permaneçam sob pressão no segundo trimestre, sazonalmente mais fraco, mas vê espaço para que tarifas mais altas se sustentem com o fortalecimento da demanda no terceiro e quarto trimestres, concluiu Rodgerson.
Com informações de InfoMoney.