Os Estados Unidos, a Austrália e o Reino Unido anunciaram um plano para desenvolver novos veículos submarinos não tripulados, como parte do pacto de defesa trilateral AUKUS, com o objetivo de combater ameaças a cabos e oleodutos submarinos. O acordo foi divulgado durante uma reunião de ministros da Defesa em Cingapura, e as primeiras entregas estão previstas para o próximo ano.

Segundo os governos ocidentais, há um risco crescente de sabotagem russa e chinesa contra essas infraestruturas, além da preocupação de que o Irã possa explorar as redes de dados no Golfo Pérsico. O ministro da Defesa australiano, Richard Marles, afirmou que "o leito marinho é um campo de batalha" e pediu medidas mais rigorosas contra navios da chamada "frota sombra".

O programa visa aprimorar as capacidades de reconhecimento e ataque dos três países, reforçando a superioridade em guerra antissubmarino e antissuperfície, bem como medidas contra minas, de acordo com comunicado do AUKUS. O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, destacou que os veículos serão altamente adaptáveis e apoiarão operações submarinas, mantendo a vantagem coletiva no domínio marítimo.

O secretário de Defesa britânico, John Healey, explicou que o projeto utilizará sensores e sistemas de armas de ponta para drones submarinos, aumentando a capacidade de resposta a ameaças contra cabos e oleodutos. Marles ressaltou que os cabos de internet — "as artérias da civilização moderna" — estão sendo cortados em ritmo sem precedentes, com nações insulares como a Austrália particularmente vulneráveis.

O governo do Reino Unido também enfatizou a vulnerabilidade das "autoestradas digitais". A ministra de Telecomunicações Liz Lloyd afirmou que todo pagamento internacional, comércio transfronteiriço e fluxo de dados entre empresas viaja pelo leito marinho. Cerca de 570 cabos submarinos transportam entre 95% e 99% dos dados de telecomunicações intercontinentais, enquanto satélites lidam com volumes muito menores.

No mês passado, o Reino Unido informou ter rastreado três submarinos russos realizando levantamento secreto de cabos no Atlântico Norte. Healey alertou o presidente russo, Vladimir Putin, de que qualquer tentativa de danificar essas infraestruturas não será tolerada e terá sérias consequências. Uma investigação parlamentar britânica já havia alertado sobre a falta de confiança na capacidade do país de impedir ou se recuperar rapidamente de tais ataques.

A Marinha do Reino Unido estuda a criação de uma força híbrida com uso amplo de drones subaquáticos para combater ameaças russas. A Diretoria Principal de Pesquisa em Águas Profundas da Rússia desenvolveu submarinos especializados para missões de vigilância, segundo reportagens anteriores da CNN. Agências de inteligência europeias também manifestaram preocupação com atividades de sabotagem e espionagem da "frota sombra" russa de petroleiros.

Desde a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, vários incidentes no Mar Báltico envolveram danos a gasodutos e cabos de internet. O surgimento de grandes centros de dados de inteligência artificial, especialmente na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos, aumentou a importância dessas redes. O conflito no Golfo interrompeu planos da Meta e parceiros para o projeto 2Africa Pearls, uma extensão de 45 mil quilômetros de cabos submarinos.

Cerca de meia dúzia de cabos principais passam sob o Estreito de Ormuz, transportando enorme volume de tráfego global de internet. A mídia estatal iraniana destacou a vulnerabilidade desse corredor, com a agência Tasnim publicando um mapa dos cabos e descrevendo-os como altamente vulneráveis. O veículo Khabar Online sugeriu que todos os cabos de fibra óptica no estreito deveriam estar sujeitos a permissões e taxas soberanas.

Quase todos os cabos submarinos passam pelo Mar Vermelho, carregando a maioria do tráfego de dados entre Europa, Ásia e África. Uma interrupção nessa região — seja no transporte marítimo ou nos cabos — teria consequências econômicas rápidas e amplas.

Com informações de CNN Brasil.