Ao menos 16 pessoas morreram no Líbano neste sábado, 20, em decorrência de novos ataques israelenses, conforme relataram autoridades locais. As ofensivas ocorreram poucas horas após a entrada em vigor de um cessar-fogo entre Israel e o grupo Hezbollah, mediado pelos Estados Unidos no contexto de negociações mais amplas com o Irã.
Contexto do cessar-fogo
A trégua teve início na sexta-feira, depois de um entendimento alcançado entre Washington e Teerã. O acordo é visto como um passo para viabilizar um ciclo de 60 dias de conversas sobre temas como o programa nuclear iraniano, a reabertura do Estreito de Ormuz e a estabilidade da oferta global de petróleo. Apesar do pacto, Israel afirmou que não integra as negociações entre Estados Unidos e Irã e, portanto, não se considera vinculado a todos os seus termos.
Reações e versões divergentes
Segundo um oficial militar israelense, mais de 50 projéteis teriam sido disparados pelo Hezbollah contra tropas israelenses posicionadas no sul do Líbano durante a noite. Em resposta, as Forças de Defesa de Israel realizaram ataques contra alvos que classificaram como posições do grupo. O Exército israelense declarou que continua comprometido com o cessar-fogo, mas que agirá diante de qualquer ameaça às suas forças ou ao território israelense.
Já o Hezbollah apresentou uma narrativa distinta. Em comunicado, o grupo afirmou que seus combatentes enfrentaram tropas israelenses que tentavam avançar sobre a região de Ali al-Taher, no sul do Líbano, e causaram baixas entre os militares. Um alto dirigente da organização disse à agência Reuters que o Hezbollah não permitirá que Israel tenha “liberdade de movimento” dentro do território libanês. O grupo também reiterou seu compromisso com a trégua, mas alertou que responderá a qualquer tentativa de expansão da presença militar israelense ou de ocupação de novas áreas no país.
Fragilidade do acordo
Os novos confrontos lançam dúvidas sobre a sustentabilidade do cessar-fogo e evidenciam a fragilidade do acordo, justamente no momento em que Estados Unidos e Irã tentam criar condições para uma negociação mais ampla sobre segurança regional e questões nucleares.