O candidato bolsonarista ao governo de Roraima, Arthur Henrique (PL), mantém a campanha nas ruas e terá sua foto exibida nas urnas eletrônicas na eleição suplementar do próximo domingo (21), apesar de o Supremo Tribunal Federal (STF) ter formado maioria para invalidar a regra do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de Roraima que permitia sua candidatura.

A eleição suplementar foi convocada após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassar os mandatos do ex-governador Antonio Denarium (Republicanos) e do então vice, Edilson Damião (União Brasil). O TRE local havia flexibilizado a lei eleitoral, autorizando candidatos a deixarem cargos públicos até 24 horas após as convenções para concorrer no pleito extraordinário.

Em maio, o ministro do STF Flávio Dino anulou essa norma e determinou a aplicação dos prazos de desincompatibilização previstos na Lei da Inelegibilidade, que variam de três a seis meses antes da eleição. O PL e a campanha de Arthur recorreram e ainda esperam uma reviravolta favorável, apostando em um critério historicamente usado pelo TSE que garante prazo de apenas 24 horas para desincompatibilização.

Votos podem ser anulados

Apesar de a foto de Arthur Henrique constar na urna, a decisão do STF indica que os votos dados a ele devem ser anulados. Caso o TSE adote entendimento contrário, pode gerar maior confusão no processo eleitoral do estado.

Sem Arthur Henrique na disputa, o candidato com mais chances é o atual presidente da Assembleia Legislativa, Soldado Sampaio (Republicanos), que assumiu o governo interinamente. Ele é aliado do MDB, partido do ex-senador Romero Jucá.

O PT também foi afetado pela decisão do STF, que barrou a candidatura de Antônia Pedrosa, mas o partido contornou o impedimento e lançou Nelita Frank. O eleitorado de Roraima, majoritariamente de direita, não deve dar chances a Nelita, que não ameaça a eleição de Sampaio, segundo analistas.

Temor de desgaste

Aliados do atual governador temem que a presença de Arthur Henrique na urna crie desgaste político no estado, já que ele é favorito para vencer o pleito. O receio é que os votos expressivos ao bolsonarista intensifiquem o clima político durante a campanha para as eleições de outubro.