Dados divulgados pela Folha de S.Paulo mostram que a arrecadação federal com impostos sobre apostas esportivas e cassinos online (bets) atingiu R$ 4,5 bilhões nos primeiros quatro meses de 2025. O montante, porém, é considerado insuficiente diante dos impactos sociais negativos gerados pelo setor, segundo análise do jornalista Leonardo Sakamoto, publicada no UOL.
De acordo com Sakamoto, as bets configuram um “Robin Hood às avessas”, transferindo renda das camadas mais pobres para os mais ricos. Ele cita pesquisa Meio/Idea segundo a qual 59% dos eleitores acreditam que as apostas provocam endividamento, 62% concordam que viciam e 44% defendem a proibição total, contra 24% favoráveis à continuidade.
A pesquisa também revela que 25,8% dos brasileiros com renda de até um salário mínimo apostaram recentemente, enquanto entre os que ganham mais de cinco salários mínimos a taxa cai para 16,7%. Além disso, 28% dos entrevistados suspeitam que algum familiar aposte escondido.
Sakamoto argumenta que nenhum imposto pago pelas plataformas cobre custos como tratamento de saúde mental no SUS, famílias endividadas ou crianças que passam fome porque o responsável apostou o dinheiro. Ele critica a leniência dos governos anteriores: o de Jair Bolsonaro, que autorizou repasses ao futebol, e o de Luiz Inácio Lula da Silva, que optou pela regulamentação em vez da proibição.
O jornalista defende que o Congresso aprove projetos que proíbam anúncios de bets, similar ao que ocorre com o tabaco, mas reconhece a forte atuação da “bancada dos amigos dos tigrinhos” no Legislativo. Com a proximidade da Copa do Mundo, ele prevê uma “inundação” de propagandas e uma “pilhagem histórica”, concluindo que, independentemente do resultado esportivo, o Brasil já sai derrotado.
Com informações de Diário do Centro do Mundo.