Uma equipe de arqueólogos redescobriu a antiga cidade de Imet, no Egito, que permaneceu soterrada por aproximadamente 2.500 anos sob o deserto do Delta do Nilo. O achado, divulgado pelo Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito, revela ruas, construções e artefatos que oferecem um retrato detalhado da vida cotidiana na região.
Localização e método de descoberta
A cidade estava oculta perto da vila de Tell Nabasha, em uma área onde construções de tijolos de argila costumam desaparecer sob plantações e canais modernos. Diferentemente das tumbas de pedra do deserto, os vestígios de Imet foram identificados por meio de mapeamento por satélite de alta resolução, que detectou estruturas enterradas no montículo oriental. A partir disso, escavações em solo confirmaram os achados.
Achados urbanos
Entre as descobertas estão casas em torre — edifícios residenciais de múltiplos andares com fundações grossas —, depósitos de grãos para processamento e estocagem de alimentos, cercados de animais para rebanhos domésticos, uma rota processional associada ao culto da deusa Wadjet e um prédio com pilares de tijolos e piso de gesso calcário.
Verticalização urbana
As casas em torre tinham paredes de fundação excepcionalmente espessas para sustentar múltiplos pavimentos. Segundo os pesquisadores, a escassez de terrenos aproveitáveis no Delta do Nilo, uma área plana sujeita a inundações e agricultura intensa, motivou essa verticalização. As famílias optaram por expandir as residências para cima para permanecer próximas às fontes de produção de alimentos.
Vida cotidiana e objetos
As ruínas revelam detalhes sobre a rotina local. Vestígios de processamento de grãos e estruturas para animais indicam que o trabalho doméstico e a vida familiar ocorriam de forma integrada. Objetos resgatados incluem estatuetas funerárias ushabti, que representam expectativas espirituais sobre o pós-morte; uma estela do deus Harpocrates sobre crocodilos, ligada à proteção infantil; e um sistro de bronze, usado em práticas rituais com música instrumental.
Transformações religiosas
A cidade tinha forte vínculo com a deusa cobra Wadjet, adorada no Baixo Egito. Uma rota processional dedicada a ela foi encontrada, mas o espaço sagrado sofreu modificações ao longo dos séculos. Os arqueólogos observaram a construção de um grande edifício com pilares de tijolo sobre o antigo caminho sagrado, o abandono progressivo da rota original no período ptolemaico e a integração de novos arranjos arquitetônicos conforme as crenças mudavam.
Importância da descoberta
O resgate de Imet mostra que os centros urbanos egípcios antigos eram dinâmicos e adaptáveis. As decisões sobre habitação, armazenamento de alimentos e religião refletem como a sociedade lidava com pressões populacionais. A descoberta também ressalta que grande parte do passado egípcio ainda está oculta sob paisagens comuns, como campos agrícolas e montes de terra, aguardando ferramentas adequadas para ser revelada.
Com informações de Catraca Livre.