O Senado Federal aprovou, na quarta-feira (10), um projeto de lei que autoriza a utilização de recursos do Fundo Social do Pré-Sal para a renegociação de dívidas de grandes empresas do agronegócio. A votação ocorreu sob a liderança do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), que incluiu a matéria na pauta do plenário contrariando os apelos do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que apontava impactos negativos da medida.

Para Ayala Ferreira, integrante da direção nacional do Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Sem Terra (MST), a aprovação da chamada “pauta-bomba” representa um novo capítulo na disputa entre setores de extrema direita e o governo federal, evidenciando a pressão exercida por grupos econômicos que financiam campanhas eleitorais. “Tanto Alcolumbre quanto outros parlamentares precisam responder àqueles que financiaram suas candidaturas. Existe uma pressão de setores do agronegócio que dizem: ‘Nós financiamos suas candidaturas e, portanto, vocês têm compromissos a cumprir'”, afirmou Ferreira em entrevista ao programa Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.

O dirigente do MST avaliou que a movimentação coloca o governo em situação constrangedora e demonstra que os interesses privados frequentemente prevalecem sobre o bem-estar coletivo no Congresso. “Mesmo que esses compromissos acabem afetando o conjunto da sociedade brasileira, o que prevalece são os interesses privados dos grupos que sustentam politicamente esses parlamentares”, criticou.

Ferreira destacou que o uso de fundos públicos para resolver questões do setor privado impacta diretamente áreas essenciais. “Vai impactar no corte de recursos para a educação, para a saúde, para a segurança pública, para programas como moradia e outras políticas sociais que auxiliam muitas famílias, sobretudo as mais precarizadas”, concluiu.

Com informações de Brasil de Fato — leia a matéria original.