O ataque israelense deste domingo contra os subúrbios do sul de Beirute, reduto do Hezbollah, colocou em xeque as negociações de paz mediadas pelos Estados Unidos. O principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que o bombardeio demonstra a falta de vontade ou capacidade dos EUA em cumprir compromissos. “Se você não tem vontade ou capacidade de cumprir seus compromissos, então é inútil falar em continuar por esse caminho”, escreveu em sua conta na rede X.
Reação de Trump às críticas
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, respondeu ao ataque dizendo que o pacto de paz continua ao alcance das mãos e instou as partes a não “estragá-lo”. “Estamos muito perto de um acordo que trará paz à região, incluindo o Líbano, e todas as partes devem agir com moderação”, publicou em sua plataforma Truth Social. Trump também afirmou que “não deveria haver mais ataques israelenses em nenhuma parte do Líbano, mas também não deveria haver ataques de nenhuma outra parte, incluindo o Hezbollah, contra Israel”. Sobre o bombardeio, declarou que “não deveria ter acontecido, particularmente em um dia especial”, possivelmente referindo-se ao seu 80º aniversário.

Posições divergentes e ameaças
O general de brigada iraniano Mohammad Jafar Asadi afirmou que o ataque “não ficará sem resposta”, enquanto o Exército israelense disse estar “se preparando para possíveis ataques” contra seu território. Em contrapartida, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, declarou que o Conselho Supremo de Segurança Nacional apoia o diálogo apesar das críticas de setores mais radicais. Nos Estados Unidos, o secretário de Defesa Pete Hegseth minimizou o impacto do bombardeio, afirmando que não espera que ele “interrompa” os avanços. “Pelo que sei, estamos no caminho certo. Não é uma questão de saber se acontecerá, mas quando”, disse.
Mediação do Catar e impasses
Uma delegação do Catar, um dos mediadores, está em Teerã para facilitar a conclusão do acordo, segundo um diplomata. A agência iraniana Fars, citando fonte próxima à equipe negociadora, informou que, mesmo que todos os pontos de vista do Irã sejam incorporados, nenhum acordo será assinado dentro do prazo anunciado por Trump. A declaração foi feita antes do ataque israelense. Entre os pontos de atrito está o controle do Estreito de Ormuz: o Irã insiste em mantê-lo, enquanto os EUA consideram inaceitável. Desde o início da guerra, o Irã exige autorização de navios para atravessar o estreito e criou um órgão para supervisionar a via e cobrar pedágios. Em resposta, os EUA impuseram um bloqueio aos portos iranianos. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, disse que o acordo exige o levantamento desse bloqueio.

Programa nuclear iraniano
Outro ponto delicado é o programa nuclear do Irã, especialmente sua reserva de urânio altamente enriquecido, que se acredita ter sido enterrada por bombardeios americanos no ano passado. Teerã sustenta que o programa é pacífico, mas governos ocidentais suspeitam da intenção de fabricar uma bomba. Araghchi declarou que a única maneira de lidar com o urânio enriquecido “é diluí-lo dentro do Irã”. Trump, que justificou a guerra como necessária para evitar armas nucleares iranianas, disse anteriormente que qualquer acordo deve levar ao “desmantelamento” do programa nuclear e permitir a recuperação do material para destruí-lo e retirá-lo do país. Recentemente, afirmou que Washington irá buscar o urânio enriquecido no Irã “no momento oportuno” e que ele será diluído e destruído “seja no Irã ou nos Estados Unidos”.