Um idoso de 91 anos, nascido no interior do Piauí e residente na zona rural do pequeno município de Bocaina, no sudeste do estado, está aprendendo a ler e a escrever pela primeira vez com o programa do governo estadual, o Alfabetiza Piauí.
José Manoel da Silva tem limitações auditivas e visuais e conta, em entrevista à Secretaria da Educação do estado do Piauí (SEDUC), nunca ter tido oportunidade para estudar antes:
“Eu gosto demais de estudar. O dia que não tem aula, eu fico triste. Queria ter tido essa chance antes, mas agora estou feliz porque estou aprendendo”.

José Manoel da Silva e colegas no Ceja Estela Nunes. Créditos: fotografia de Sandra Portela/ reprodução
Agora, José frequenta o Centro Estadual de Jovens e Adultos Estela Nunes, instituição pública da cidade onde acontecem as aulas da EJA (Educação de Jovens e Adultos), política voltada a quem deseja concluir o ciclo básico fora da idade regular.
Segundo ele, que é natural do município piauiense de Fronteiras, veio de uma família grande em que havia outros cinco irmãos, e apenas uma das irmãs pôde frequentar a escola, enquanto os demais se viram obrigados a trabalhar no campo. Ele se tornou vaqueiro.
“Aqui é bom demais. Eu gosto do professor, dos colegas e até da merenda. Eu amo estar na escola”, diz.
Segundo dados do IBGE, o Brasil ainda tem cerca de 9,1 milhões de pessoas analfabetas com 15 anos ou mais, concentradas principalmente entre as regiões Norte e Nordeste do país.
Entre brasileiros com mais de 60 anos, essa proporção tende a aumentar.
A iniciativa lançada pelo governo do estado, Alfabetiza Piauí, tem como meta atender até 100 mil piauienses até o fim deste ano.
O programa oferece uma bolsa de permanência para os alunos no valor de R$ 800, paga de maneira progressiva em quatro parcelas de R$ 200, mediante matrícula, e requer assiduidade mínima de 75%, além da participação em avaliações.
Em 2025, foram disponibilizadas 50 mil vagas. Além da bolsa, os alunos inscritos no projeto também recebem transporte e alimentação para estudar.