Aos 79 anos, Ivo Klug decidiu provar que a curiosidade não tem prazo de validade. Morador de Blumenau, em Santa Catarina, foi aprovado no vestibular da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e passou a integrar uma turma bem diferente daquela que frequentou décadas atrás.
O novo desafio será cursar Engenharia de Controle e Automação, área que une tecnologia, sistemas inteligentes e processos industriais.
Mais do que a aprovação em si, a história chama atenção por mostrar que a universidade pública também pode ser um espaço de recomeço para quem já construiu uma longa trajetória profissional e familiar.
O retorno à sala de aula começou antes do vestibular
A decisão de disputar uma vaga na universidade não aconteceu de uma hora para outra.
Antes mesmo de se inscrever no processo seletivo, Ivo procurou se readaptar à rotina acadêmica e frequentou uma disciplina de Física como aluno isolado no campus da UFSC, em Blumenau.
A experiência serviu como uma espécie de teste para entender como funcionavam as aulas, o ritmo das avaliações e a própria capacidade de voltar a estudar depois de tantos anos.
Após ter um bom desempenho, decidiu dar um passo além e disputar oficialmente uma vaga na instituição.
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Uma nova graduação por escolha, não por necessidade
Diferentemente de muitos estudantes que entram na universidade em busca do primeiro emprego, Ivo já construiu uma carreira consolidada.
Ao longo da vida, ele concluiu Engenharia Mecânica na Universidade Federal do Paraná (UFPR), realizou cursos complementares e uma pós-graduação, além de acumular experiências profissionais e viagens internacionais.
Ainda assim, a vontade de aprender continuou presente.
A escolha pela Engenharia de Controle e Automação surgiu justamente pelo interesse em aprofundar os conhecimentos em uma área que ganhou ainda mais relevância com os avanços da tecnologia e a transformação digital da indústria.
Vestibular exigiu preparo físico e mental
O processo seletivo também trouxe desafios.
Segundo Ivo, a estrutura do vestibular atual é bastante diferente daquela que existia quando ele era jovem. As provas exigem resistência física, concentração prolongada e domínio de conteúdos diversos.
Mesmo diante das dificuldades, ele conseguiu se destacar, principalmente nas disciplinas ligadas à Matemática.
A aprovação veio acompanhada de muita emoção e acabou transformando seu nome em referência dentro da própria universidade, tornando-o o candidato mais velho aprovado naquela edição do vestibular.
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Uma história que quebra estereótipos
A trajetória de Ivo também ajuda a desconstruir a ideia de que a universidade é um ambiente exclusivo para os mais jovens.
Casado, pai de três filhos e avô, ele conciliou uma vida inteira de responsabilidades com a decisão de assumir novamente o papel de estudante.
Sua história mostra que o aprendizado pode acompanhar diferentes fases da vida, independentemente da idade.
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O encontro entre gerações dentro da universidade
A presença de um aluno de 79 anos também cria uma dinâmica pouco comum dentro da sala de aula.
Enquanto os colegas chegam à universidade carregando expectativas sobre o futuro, Ivo leva consigo décadas de experiências profissionais e pessoais.
Ainda assim, ele terá a mesma rotina dos demais estudantes: trabalhos, provas, projetos e novas descobertas.
Mais do que um feito individual, a aprovação se tornou um símbolo de que a educação não precisa ter uma data limite.
Em um momento em que muitas pessoas acreditam já ter passado da idade de começar algo novo, a história de Ivo Klug deixa um recado simples e poderoso: o desejo de aprender pode acompanhar uma vida inteira.