Antes da aposentadoria, João José de Carvalho dedicou a vida ao trabalho no campo e à criação dos três filhos. Aos 75 anos, no entanto, voltou às salas de aula e conquistou pela segunda vez uma vaga no curso de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Piauí (UFPI), por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) 2026.

Morador de Patos do Piauí, o aposentado, conhecido como “seu Janjão”, concluiu os estudos na modalidade Educação de Jovens e Adultos (EJA) no Centro Estadual de Tempo Integral (Ceti) Reunida de Patos. A nova aprovação ocorreu após ele já ter sido selecionado para o mesmo curso em 2025.

Na primeira oportunidade, porém, João José precisou interromper os estudos. Segundo ele, a distância entre sua cidade e a universidade, além de problemas de saúde, dificultaram a continuidade da graduação.

“Na primeira aprovação, enfrentei problemas com a distância, porque moro em outro município, e também tive algumas limitações físicas que me obrigaram a me afastar da universidade. Agora, com essa segunda chance, voltei a sentir aquela emoção e estou ainda mais motivado”, afirmou.

Avô de cinco netos, ele diz que pretende concluir a graduação e vê a educação como um instrumento de transformação. “Para mim, o homem é o que a educação faz dele. Nunca é tarde para estudar. Conhecimento é algo que levamos para a vida inteira. É o que nos torna cidadãos livres”, declarou.

João José nunca havia participado do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) antes da edição que lhe garantiu a primeira aprovação. Na ocasião, afirmou que já acreditava na possibilidade de ingressar na universidade e que, caso não conseguisse, tentaria novamente.

“Eu esperava. Falei para a turma que pedi a Deus para fazer uma prova boa, e que senão passasse faria de novo. Eu gosto muito de biologia. Nunca é tarde”, disse à época.

O exemplo do aposentado é destacado pela família. Jordel Ferreira, um dos filhos, afirmou que o pai sempre priorizou a educação dos três filhos e recebeu incentivo da nora, que foi professora dele, para concluir o ensino médio e prestar o Enem.

“A minha esposa é professora dele e foi uma das pessoas que mais incentivou ele a fazer o ensino médio e posteriormente o Enem. Ele é um incentivo, já que é um senhor que mesmo com todas as limitações da idade e de alguns probleminhas de saúde conseguiu”, relatou.

“Ele se aposentou como agricultor, mas não queria que a gente fosse pra roça, sempre entendeu que a gente estudar seria o melhor caminho”, acrescentou Jordel.