O segundo-sargento Nestor da Silva, que em 1945 liderou um grupo de 16 homens da Força Expedicionária Brasileira (FEB) na captura de 18 prisioneiros alemães durante a batalha de Montese, na Itália, morreu no dia 30 de maio, aos 108 anos. A causa foi falência múltipla dos órgãos, segundo a família. Com sua morte, restam 21 pracinhas da FEB ainda vivos.

Nestor nasceu em 13 de julho de 1917 em Lagoa Santa, então distrito rural de Belo Horizonte. Filho de agricultores, alistou-se voluntariamente em 1938, após ver o 10º Regimento de Infantaria marchar. Em 1944, já como segundo-sargento, embarcou para Nápoles com a FEB. Na Itália, participou dos combates em Gallicano, Monte Castello, Castelnuovo e Montese.

Na madrugada seguinte à tomada de Montese, recebeu a notícia de que o então general Mascarenhas de Morais o promovêra a segundo-tenente por bravura. Nestor costumava contar as histórias de guerra, mas sem se gabar. Quem o via, já centenário, saindo do apartamento na Asa Sul para ir ao banco ou à igreja, não imaginava ser um dos últimos heróis da Segunda Guerra Mundial.

Após a guerra, fez o curso de oficiais da reserva na Escola Militar do Rio. Casou-se em 1949 com Niva, com quem teve 76 anos de casamento até a morte dela, em 2023, aos 97 anos. Aos 47 anos, idade incomum, formou-se paraquedista militar e, em 1966, tornou-se mestre de salto. Foi para a reserva em 1972 como tenente-coronel, no Estado-Maior do Exército, em Brasília, onde continuou morando.

Na reserva, trabalhou no Ministério do Interior e na Funai. Em 2013, recebeu da presidente Dilma Rousseff a medalha da Ordem do Mérito Nacional. Participava anualmente do desfile de 7 de Setembro. Até os 105 anos, manteve vida independente, apesar da Covid-19. Deixou 5 filhos, 10 netos e 8 bisnetos. Nos últimos três anos, a saúde debilitou-se após fratura de fêmur e a perda da esposa. "Ele chamava por ela", contou a filha Márcia. "Eles tinham um amor fora da nossa realidade."

Com informações de Folha — Cotidiano.