Na entrevista coletiva após a vitória sobre o Panamá por 4 a 1, no último domingo (31), o técnico Carlo Ancelotti fez uma clara distinção entre as equipes que atuaram em cada tempo. O primeiro tempo, com titulares como Vinicius Júnior, Raphinha e Bruno Guimarães, foi marcado por velocidade e transição rápida. Já o segundo tempo, com reservas como Danilo Santos e Lucas Paquetá, priorizou a posse de bola e o controle de jogo.
— Foram dois times diferentes em cada etapa. É um aspecto que temos que considerar, porque essa equipe tem jogadores com muitas características diferentes — disse Ancelotti.
Primeiro tempo: velocidade e ataque ao espaço
Ancelotti destacou que os titulares do primeiro tempo são jogadores com velocidade e imposição física, ideais para um estilo de jogo de transição e ataque rápido. — O time do primeiro tempo é mais de ida e volta, porque temos jogadores mais rápidos, fortes no um contra um. Jogar um futebol de posse não vai evidenciar as características dos jogadores — analisou.
Com essa abordagem, o Brasil teve dificuldades para controlar o jogo, mas conseguiu abrir o placar com Vinicius Júnior após roubada de bola de Casemiro no campo de ataque. Aos 38 minutos, nova roubada resultou em gol de Casemiro. Apesar dos gols, a pressão da seleção foi falha, deixando espaços entre os setores.
O torcedor já havia visto esse estilo contra a França, em março, quando o Brasil apostou em contra-ataques para potencializar Vinicius Júnior e Raphinha. Na ocasião, a França teve 65% de posse de bola no primeiro tempo, e o Brasil saiu atrás no placar.
Vinicius Júnior, em entrevista à CazeTV, indicou que a estratégia deve se repetir na Copa do Mundo: — Acredito que na Copa do Mundo vamos fazer um trabalho excelente, em que a gente vai defender muito bem e tentar sair no contra-ataque. É o que o Mister sempre pede para a gente.
Segundo tempo: paciência e controle com mais meias
Ancelotti definiu a etapa final como de “mais posse, mais controle”. A entrada de Danilo Santos e Lucas Paquetá, nos lugares de Bruno Guimarães e Matheus Cunha, deu ao meio-campo maior capacidade de associação e infiltração. Paquetá se destacou com passes cavados que deixaram Danilo e Endrick na cara do gol, além de marcar um belo gol de fora da área.
— Obviamente, com Paquetá e Danilo, pode-se controlar mais a bola, mas é menos vertical — analisou o técnico.
A presença de Igor Thiago como centroavante também ajudou a preencher o centro do campo. Essa estrutura, segundo Ancelotti, é ideal contra adversários que atuam em linhas recuadas.
Testes finais contra o Egito
Ancelotti afirmou que mesclará as duas ideias no amistoso contra o Egito, neste sábado (6). Paquetá atuará como ponta direita, com liberdade para flutuar para dentro, e Igor Thiago será o centroavante. — É o último jogo para fazer teste. Paquetá representa um jogador importante para nós, porque tem característica diferente dos outros meias. Quero testá-lo e testar o Igor Thiago no jogo de amanhã — disse o italiano.
Depois do jogo com o Egito, a Seleção se prepara para a estreia na Copa do Mundo contra o Marrocos, em 13 de junho.
Com informações de Trivela.