Começou a valer nesta sexta-feira (5) a classificação de terrorista dada pelo governo de Donald Trump às facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV).

Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Jana Silverman, professora de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC (UFABC), afirmou que ainda é difícil prever os desdobramentos, mas, com base na forma como o governo Trump tem lidado com o narcotráfico na América Latina, o cenário é bastante desagradável.

“Se olharmos os antecedentes, o ano passado foi de criminalização do cartel de Los Soles, do Trem de Arágua na Venezuela, que são cartéis que nem existiram, usados como pretexto para iniciar uma pré-campanha que terminou no sequestro do presidente Maduro em 3 de janeiro. Principalmente a questão dos bombardeiros e dos barcos de pescadores na área do Caribe. Sabemos que, em termos de potência militar, o Brasil é muito maior que a Venezuela. Se os Estados Unidos vão usar essa criminalização do PCC e do Comando Vermelho como justificativa para ações militares, no curto prazo, eu duvido. Os Estados Unidos estão realmente amarrados agora com a questão do Irã, do Líbano e também, obviamente, de Cuba”, avaliou.

Para ela, quando se trata de Trump, não é possível descartar nada. “Sabemos que, desde 1964, com a operação Brother Sam, não dá para descartar ação ou uma tentativa de ação militar.”

Silverman também comentou sobre a aprovação pelo Congresso dos EUA de mais verba para a polícia de imigração, o ICE, responsável por diversas violações nos últimos meses, inclusive com mortes. Houve pressão popular, especialmente em Minneapolis, com protestos contra a ação violenta dos policiais, mas, segundo a professora, a política migratória de Trump nunca parou.

“Eles sempre tiveram recursos, o ICE nunca parou de agir. Quem parou de receber salários foram as pessoas que trabalhavam na segurança dos aeroportos, por exemplo, mas o ICE nunca parou. Inclusive, é importante lembrar que hoje temos mais de 200 prisioneiros, pessoas detidas nos centros de confinamento do ICE, operados por empresas privadas. A grande maioria, o único ‘crime’ é ser uma pessoa sem documentação, ou seja, migratória. Então, o ICE nunca parou. O ICE continua”, afirmou.

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea pelo YouTube do Brasil de Fato.

Com informações de Brasil de Fato.