Em entrevista ao Brasil de Fato, o analista internacional Giancarlo Summa, diretor do Instituto Latino-Americano Para o Multilateralismo (Ilam) e pesquisador da École des Hautes Études en Sciences Sociales (EHESS), afirmou que a Organização das Nações Unidas (ONU) enfrenta a mais grave crise de sua história, com perda de legitimidade política e escassez de recursos financeiros.
Segundo Summa, o secretário-geral da ONU, António Guterres, já declarou que a organização está em uma corrida para a falência econômica, mas o problema mais sério é político. Ele destacou que os membros permanentes do Conselho de Segurança — Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido —, em diferentes graus, se distanciaram da instituição. “As principais potências mundiais parecem ter abandonado a ideia de que a ONU possa ter uma serventia para as questões de paz e segurança”, disse.
O pesquisador apontou os Estados Unidos como o principal agente de enfraquecimento da ONU, citando a retirada do país de órgãos como a Organização Mundial da Saúde (OMS). “Existe uma tentativa dos Estados Unidos de reduzir a ONU a algo muito limitado, sem capacidade de incidência política ou intervenção nas megacrises”, afirmou. Ele lembrou que os EUA foram fundamentais na criação da ONU em 1945, mas passaram a atacá-la desde o fim da presidência de Jimmy Carter, há cerca de 46 anos.
Summa também abordou a mudança no financiamento da organização. Em 2000, a China contribuía com menos de 1% do orçamento geral do Secretariado da ONU, enquanto os Estados Unidos eram o principal financiador, com mais de 23%. Atualmente, a China já é a maior fonte de financiamento há dois anos. “A China parece interessada em aumentar seu peso relativo no sistema internacional e seus dirigentes insistem na centralidade do multilateralismo”, concluiu.
Com informações de Brasil de Fato.