As chances de um acordo entre Estados Unidos e Irã se tornam cada vez mais remotas, de acordo com análise de correspondentes e analistas do programa Fora da Ordem, da CNN Brasil. Apesar de declarações do presidente Donald Trump sugerindo proximidade de um entendimento, o andamento das negociações indica um cenário de alta complexidade e avanço lento.
Mariana Janjácomo, correspondente da CNN nos Estados Unidos, afirmou que a situação permanece praticamente inalterada. “Vou repetir a resposta de um mês atrás: acho muito difícil”, disse. Ela comparou o impasse a um ciclo que se repete, observando que, após duas semanas de férias, encontrou o mesmo quadro.
Cessar-fogo frágil e negociações complexas
Segundo Janjácomo, há conversas em andamento nos bastidores, mas ninguém esperava que uma negociação desse porte fosse simples. “Donald Trump tentou fazer parecer que seria fácil. Esses acordos demoram meses, anos para serem feitos”, destacou.
Ela ressaltou que existe um cessar-fogo extremamente frágil, com ataques ainda sendo trocados de ambos os lados. O Irã coloca como ponto essencial que haja um cessar-fogo entre Israel e Líbano, envolvendo também o Hezbollah, o que adiciona complexidade às tratativas.
Trump alterna entre discursos de negociação e ameaças. Nesta semana, declarou que retomaria os ataques caso o Irã matasse um soldado americano. Ao mesmo tempo, Marco Rubio afirmou ao Congresso americano que a “operação militar” — termo que ele utiliza em vez de “guerra” — já havia encerrado e que os Estados Unidos saíram vitoriosos. “Não tem unidade nem mesmo no próprio governo, nem mesmo na própria Casa Branca, sobre os rumos dessa guerra”, avaliou Janjácomo.
Congresso americano reage e aprova medida simbólica
A insatisfação da população americana com a continuidade do conflito começou a se refletir no Congresso. A Câmara dos Deputados americana aprovou nesta semana uma medida para limitar os poderes de guerra de Donald Trump. A iniciativa não deve entrar em vigor por questões práticas do processo legislativo, mas foi considerada simbolicamente expressiva: quatro republicanos se juntaram aos democratas para aprová-la.
“Quatro republicanos é um número pequeno, mas acaba sendo expressivo se a gente considerar todo o contexto”, disse Janjácomo, lembrando que, até pouco tempo atrás, o partido tentava bloquear qualquer votação nesse sentido para evitar constrangimento a Trump.
Efeitos econômicos duradouros para o mundo
Os impactos econômicos do conflito também foram debatidos. Um dos participantes do programa apontou que o efeito mais duradouro da guerra é o reestabelecimento das cadeias de fornecimento de óleo, gás e fertilizantes, com consequências diretas sobre o transporte e a produção de alimentos no mundo inteiro. “Mesmo que a guerra acabe hoje, a gente vai conviver com os efeitos duradouros dela”, afirmou.
No caso do Brasil, maior produtor de alimentos do mundo, a previsão de inflação de alimentos já chega a 7% no ano, contra uma meta de 3%, em parte porque o país depende de quase 90% de importação de fertilizantes, sendo o Oriente Médio um fornecedor importante. O mundo, segundo a análise, está se movendo para reduzir essas dependências, com a construção de novos gasodutos e rotas alternativas, mas o processo deve levar anos.
Com informações de CNN Brasil.