O Plano Real, implementado em 1994, conseguiu controlar a hiperinflação que impedia o desenvolvimento sustentável do Brasil, segundo análise publicada pela Gazeta do Povo. O plano baseava-se em três pilares: sistema de metas de inflação, câmbio flutuante e equilíbrio fiscal. No entanto, o texto argumenta que, a partir dos governos de Fernando Henrique Cardoso (FHC), houve uma distorção: o equilíbrio fiscal passou a ser visto como suficiente, sem considerar o tamanho do gasto público.

De acordo com a análise, durante os governos FHC houve expansão do gasto sustentada por aumento da arrecadação, elevando a carga tributária para 32,3% do PIB — o presidente que mais aumentou a carga, em mais de 4 pontos percentuais. Nos governos seguintes, a carga oscilou entre 32% e 34%.

O texto afirma que os governos lulo-petistas aproveitaram a situação para consolidar um “Estado grande”, com populismo fiscal voltado à sustentação de um projeto de poder e de corporações que orbitam em torno do orçamento expandido, criando uma burocracia estatal para administrar arrecadação e gastos.

Para o autor, o Brasil não teve um projeto de nação nas últimas décadas, mantendo-se no “socialismo econômico”, com a expansão da despesa pública como meta de governo. Como resultado, o país teria carga tributária de primeiro mundo e serviços públicos de países subdesenvolvidos.

A análise sustenta que o desenvolvimento econômico depende do fluxo de produção privada, que gera consumo, investimento e poupança. Quando o Estado subtrai riqueza via impostos, reduz o fluxo econômico e o potencial de crescimento. O texto compara essa lógica a um “moto-contínuo”, que não existe na física nem na economia.

Como consequência, o Brasil investiu menos que a média mundial e cresceu menos que o mundo. Para reverter esse quadro, seriam necessários investimentos externos, mas a insegurança jurídica e a corrupção, estabelecidas como marcas, dificultam esse processo.

O autor destaca que crescer entre 2% e 3% ao ano seria adequado para países desenvolvidos, mas não para nações em desenvolvimento como o Brasil, com suas potencialidades. Além disso, a má utilização dos recursos arrecadados e os baixos retornos para a população potencializam a corrupção, estimulada pela impunidade institucionalizada.

O texto aponta que parte da inflação brasileira tem origem estrutural, gerada pela pressão permanente do gasto público. A expansão dos gastos gera desequilíbrio fiscal e aquece a inflação, combatida com juros altos. Para as populações de menor renda, a inflação é o pior imposto, enquanto beneficia quem tem recursos para investir com rendimentos elevados.

Segundo a análise, há relação direta entre os projetos econômicos socialistas implantados no Brasil e o endividamento recorde de pessoas e empresas. O autor conclui que o modelo econômico das últimas décadas fracassou e não entregou o que a sociedade esperava, dentro das potencialidades do país.

O texto é baseado no livro “Brasil: um país que insiste em não dar certo”, que analisa os erros das últimas décadas que levaram o país ao subdesenvolvimento crônico, decorrente de repetidos erros de governantes gastadores e da “aventura socialista” imposta ao país e à economia.

Com informações de Gazeta do Povo.